tratamento da esquizofrenia

O tratamento da esquizofrenia não é o mesmo para cada paciente.

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A esquizofrenia é uma doença heterogênea com sintomas que evoluem e mudam rapidamente. A sintomatologia pode ser subdivididas em 3 classes, a saber:

  • Sintomas positivos (alucinações e delírios);
  • Sintomas negativos (embotamento afetivo e avolia)
  • Relacionamentos pessoais desorganizados (isolamento, variação da personalidade humana, expressões inadequadas de agressão e sexualidade, incapacidade de fazer contatos significativos com outras pessoas) .

Os sintomas positivos estão relacionados á crise e fase aguda da doença, já os sintomas negativos estão ligados á fase crônica.

Saiba mais sobre a fisiopatologia da esquizofrenia: Clique aqui!

Neste sentido, o tratamento da esquizofrenia é diferente para cada paciente pois as estratégias do tratamento variam conforme o paciente, sua família, a fase e a gravidade da doença.


Métodos de tratamento da esquizofrenia

De acordo com as necessidades do paciente, o tratamento envolverá:

  • Farmacoterapia;
  • Psicoterapia individual;
  • Psicoterapia de grupo;
  • Intervenção familiar;
  • Tratamento hospitalar;

 

Tratamento da esquizofrenia – Farmacoterapia

A introdução de medicamentos psicoterapêuticos a partir da década de 50 causou o que se pode chamar de “Revolução Farmacológica da Psiquiatria”, pois têm a capacidade considerável de melhorar os sintomas das psicoses sem a necessidade de internações em hospitais psiquiátricos.

Os  fármacos utilizados no tratamento da esquizofrenia são os chamados antipsicóticos, que consistem no bloqueio de receptores dopaminérgicos D2 no sistema nervoso central (Saiba mais sobre o mecanismo de ação dos antipsicóticos clicando aqui). No entanto, levam dias a semanas para o efeito máximo.

O mecanismo de ação dos antipsicóticos consiste no bloqueio de receptores dopaminérgicos D2 no sistema nervoso central. No entanto, estes fármacos não curam o paciente somente atenuam a intensidade das manifestações psicóticas agudas (efeitos positivos) e apresentam pouco efeito sobre os sintomas negativos, característicos da fase crônica da doença. Os antipsicóticos tem o seu efeito maior em reduzir drasticamente a frequência de internações e recidivas de crises.


Tratamento da esquizofrenia na fase aguda.

O paciente chega ao Centro de Atenção Psicossocial CAPS ou no psiquiatra no momento da crise (surto psicótico) e na primeira consulta é importante:

  1. Ouvir primeiro o paciente e depois, os familiares. É necessário trabalhar o vínculo, pois é através dele que os profissionais vão conseguir ajudar o paciente mesmo que este esteja desorganizado, agitado ou catatônico. Sem vínculo, nada feito! Vale ressaltar que na maioria dos casos, o paciente está em conflito com a família por causas dos sintomas da doença. Escutar o paciente primeiro pode mostrar para ele que os profissionais de saúde estão do lado do seu lado.
  2. atender os familiares ou acompanhante. A orientação e esclarecimentos é importante para que a família saiba lidar com os sintomas do paciente e receba orientações do tratamento adequado. O apoio familiar é fundamental para o tratamento da esquizofrenia, pois pode além de fornecer uma base para que o paciente se reestruture levando em consideração que umas das principais contribuições para o desenvolvimento das doenças mentais é a desestrutura familiar, possibilita que a família auxilie na tomada de medicamentos e ida ao CAPS ou psiquiatra. Por outro lado, o depoimento familiar e de terceiros auxiliarão na construção do histórico do usuário.
  3. Realizar uma anamnese criteriosa e subjetiva, exame físico, verificar necessidade de exames complementares e/ou solicitar avaliação neurológica. O diagnóstico correto é um importante passo para o tratamento eficiente dos sintomas e a consequente melhora do sofrimento mental do paciente.
  4. Prescrição de antipsicóticos de alta potência. Apresentam boa eficácia contra sintomas positivos. Atentar para efeitos extrapiramidais.
  5. Iniciar com dose mais baixa até atingir a dose ideal. O paciente não terá melhora imediata, necessitando de alguns dias. O aumento rápido de dose aumenta possibilidades de distonias e discinesias.
  6. No primeiro surto, prescrever um benzodiazepínico (lorazepam ou clonazepam) junto ao antipsicótico para conter a agitação uma vez que este último leva alguns dias para iniciar efeito. Havendo melhora do quadro agudo, retirar o benzodiazepínico devido ao seu efeito de dependência.
  7. Prescrever anticolinérgicos para minimizar efeitos adversos dos antipsicóticos. A prometazina e o biperideno reduzem o parkinsonismo.
  8. Após remissão do surto, reduzir o antipsicótico e retirar o anticolinérgico, pois quando tomado por longo tempo aumenta risco de instalação da discinesia tardia.
  9. Quando há predominância de sintomas negativos, prescrever antipsicóticos atípicos: risperidona, olanzapina, quetiapina, ziprasidona e outros.
  10. Para esquizofrenia refratária (tratamento medicamento não está surtindo efeito), prescrever clozapina. Porém deve-se realizar hemogramas periódicos pois a clozapina pode causar agranulocitose.

Observação: A prescrição de fármacos aqui relatada, é uma atividade privativa médica, no entanto, a equipe multiprofissional deve discutir a necessidade e viabilidade da farmacoterapia.

 


Tratamento da esquizofrenia na fase crônica.

Na fase de estabilização, a equipe de saúde deve:

  1. Mostrar ao paciente que o tratamento é por prazo indeterminado. A interrupção da medicação poderá levar o paciente a novos surtos e piora dos sintomas negativos cujos fármacos tem dificuldade de atuar;
  2. Trabalhar a aceitação da doença. A aceitação da doença e da medicação poa recuperação possibilita a recuperação das habilidades sociais perdidas e cuidar das atividades diárias como banho e higiene.
  3. Encaminhamento para abordagens psicossociais. O paciente terá condições de realizar oficinas terapêuticas e realizar psicoterapia.

Tratamento da esquizofrenia – Psicoterapia

A psicoterapia pode ser individual ou em grupo e deve ter os seguintes objetivos:

  • Preservar o contato com a realidade;
  • Restaurar a capacidade do paciente cuidar de si e administrar a sua vida;
  • Diminuir o isolamento;
  • Reconhecer os eventos da vida que podem lhe trazer novas crises ensinando o paciente como lidar com eles.
  • Aceitação de suas limitações reconhecendo o seu potencial;
  • Recuperar e promover a auto-estima e auto-confiança;
  • Estimular a autocuidado: higiene;
  • Estimular que o paciente faça suas atividades de vida diária.

Tratamento da esquizofrenia – Terapia Ocupacional

A terapia ocupacional é baseada na realização de atividades que visam recuperar a capacidade de realização das atividades do dia a dia combatendo a avolia, estimulando a organização interna e o desenvolvimento da criatividade.

O objetivo da terapia ocupacional é a recuperação das atividades perdidas através da realização de oficinas terapêuticas: tapeçaria, desenho, pintura em tela e outros.


Tratamento da esquizofrenia – Orientação familiar

A doença mental dificulta a relação familiar. Por outro lado, a desestrutura familiar é uma das causas do inicio dos surtos psicóticos.

A orientação familiar tem o objetivo de:

  • Diminuir tensões presentes no ambiente familiar;
  • Melhorar o relacionamento familiar do usuário;
  • Diminuir o número de surtos do paciente;
  • Orientar a família sobre o tratamento medicamentoso e atividades de vida diária;
  • Assumir responsabilidades;
  • Reconhecimento de quais são os sinais e sintomas da crise e como proceder;
  • Tornar familiares exigentes em menos exigentes.

 

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Referências Bibliográficas

SHIRAKAWA, Itiro. Aspectos Gerais do Manejo do Tratamento de Pacientes com esquizofrenia. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 56, n. 8, maio, 2000. Disponível em <www.scielo.br>. Acesso em 15 de dezembro de 2016.

SILVA, Regina. Esquizofrenia: uma revisão. Psicologia USP, São Paulo, v. 16, n. 4, 2006. Disponível em <www.scielo.br >. Acesso em 15 de dezembro de 2016.

 

 

 

marcus

Olá, meu nome é Marcus Vinícius, tenho 32 anos. Sou blogueiro, enferrmeiro e referência técnica do Centro de Atenção Psicossocial CAPS I de Lagoa da Prata/MG. Sou graduado em Enfermagem pela Universidade de Uberaba UNIUBE. Os meu objetivo neste blog é trazer um conteúdo esquematizado e de fácil entendimento para te auxiliar nas suas pesquisas e estudos na área de enfermagem, saúde pública e saúde como um todo.

Website: http://www.enfermagemesquematizada.com.br

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