Teorias de enfermagem

O que são teorias de Enfermagem?

Teoria, no grego, quer dizer “visão”. Constitui uma forma sistemática de olhar o mundo, para descrevê-lo, explica-lo, prevê-lo ou controla-lo. Teorias de enfermagem são instrumentos de trabalho que abordam uma linha de conhecimentos científicos com  visões sobre o processo saúde doença e a experiência do cuidado terapêutico

A teoria de enfermagem pode ser descrita como um instrumento de trabalho que ressalta o conhecimento científico, demonstrando as tendências das visões sobre o processo saúde-doença e a experiência do cuidado terapêutico. Assim, quando a enfermagem adota uma das teorias de enfermagem, deixa de ter uma assistência baseada em conhecimentos empíricos para adotar uma assistência orientada por conhecimentos científicos passando a se chamar Enfermagem Científica.


As Teorias de Enfermagem e a Sistematização da Assistência de Enfermagem

Para uma implantar a Sistematização de Assistência de Enfermagem SAE é necessário escolher uma teoria de enfermagem para fundamentar o Processo de Enfermagem em suas etapas. O Processo de Enfermagem é entendido como um método para a organização e prestação do cuidado de enfermagem


Quais são os Objetivos das Teorias de Enfermagem?

As Teorias de Enfermagem tem objetivos:

  • Direcionar o pensamento do enfermeiro, sua observação e interpretação da realidade;
  • Fornecer estrutura que atenda ás necessidades individualizadas do cliente, família e comunidade por meio do processo de enfermagem;
  • Nortear o domínio das responsabilidades da enfermagem e;
  • Permitir aos profissionais documentar serviços e resultados.

Quais são as Principais Teorias de Enfermagem?

As principais Teorias de Enfermagem são:

RELAÇÃO INTERPESSOAL  – Teoria Ambientalista DE Florence Nightingale (1854)

Florence Nithingale transformou a enfermagem empírica em enfermagem científica  e profissional,e por isso é considerada a fundadora da enfermagem moderna em todo o mundo. Em 1854, foi voluntária na Guerra da Criméia, que liderando 38 mulheres, organizou um hospital com cerca de 4000 soldados internos, reduzindo a mortalidade de 40% para 2%. Pelo belíssimo trabalho, recebeu um prêmio em dinheiro do governo inglês, fundando a primeira escola de enfermagem no Hospital St. Thomas, Londres, em 24 de junho de 1860.

Para ela, os cuidados de enfermagem não deveriam ser fundamentados somente nos conceitos religiosos de caridade, amor, doação e humildade, mas principalmente por preceitos de valorização adequado do cuidado, divisão social do trabalho de enfermagem e autoridade sobre o cuidado a ser prestado.

A Teoria Ambiental de Florence Nigthingale tem as seguintes características:

  • O estado de saúde do cliente está associado aos fatores ambientais, percebidos por meio da observação e coleta de dados;
  • Trabalha-se com enfoque em caracteres ambientais gerais como: iluminação, ruído, higiene ambiental e pessoal, água pura, ambiente externo, utensílios do paciente e aspecto nutricional e;
  • O profissionais de enfermagem precisam ter preparação formal para exercer a profissão.
     RELAÇÃO INTERPESSOAL – Teoria De Relações Interpessoais De Peplau (1952)

Em 1952, nos EUA, Hildegard Peplau  fez a apresentação de seu livro “Interpersonal Relations in Nursing: a conceptual frame of reference for psychodinamic nursing”, introduziu um novo paradigma para a enfermagem centrado nas relações que se processam entre enfermeira e paciente.

A teoria de relações interpessoais de Peplau tem as seguintes características:

  • Os cuidados de enfermagem devem estabelecer um processo interpessoal por meio do qual, enfermeira e paciente podem obter crescimento e desenvolvimento pessoais;
  • A enfermagem deve oferecer condições para existir uma relação psicossocial com o paciente de modo a reestabelecer o potencial de seu crescimento (ex.: reparação de feridas, reestabelecimento das funções orgânicas);
  • A equipe de enfermagem tem um papel parecido com a de um psicólogo, uma vez que para cuidar do paciente, o enfermeiro precisa ter uma intimidade interpessoal para com o cliente capaz de conseguir mudanças psicológicas.

É importante observar que o  objetivo da assistência de enfermagem é ajudar os indivíduos, família e a comunidade a produzir mudanças que influenciem de forma positiva em suas vidas. Neste sentido, vale mencionar que, se não houver uma conexão positiva entre cliente e enfermeiro,  não haverá cuidado de enfermagem eficiente. Por exemplo, se uma enfermeira entra em conflito com cliente diabético, dificilmente esse paciente irá aderir ao planos de cuidados oferecidos pela profissional.

Para Peplau, o processo de relação interpessoal da enfermagem tem quatro fases:

  1. Orientação – Paciente tem uma necessidades e mostra demanda de cuidados. Durante a interação com o enfermeiro, o paciente visualiza a dificuldade e dá oportunidades  ao profissional de identificar as suas carências de informação acerca do seu problema. Assim, o enfermeiro pode realizar as orientações de acordo com o momento da vida em que o paciente se encontra. Esta fase pode ser carregada de ansiedade e tensão. Cabe a equipe de enfermagem reduzir esses sintomas de modo de modo a permitir a realização das etapas seguintes;
  2. Identificação – A enfermagem consegue identificar quais são as necessidades do paciente. O paciente já tem um vínculo com o profissional de enfermagem existindo uma intimidade psicossocial. Aqui, o paciente pode assumir três comportamentos: ser participativo nas ações e cuidados de enfermagem; isolando-se e tendo atitudes de interdependência em relação ao enfermeiro ou assumindo total dependência de cuidados.
  3. Exploração – Exploração ao máximo da relação enfermeiro/paciente para obtenção dos melhores benefícios possíveis
  4. Resolução – É caracterizada como um ‘fenômeno psicológico” em que o paciente desfaz o vínculo com o enfermeiro preparando-se para o retorno para casa.

Vale mencionar que a Teoria de Peplau embora seja relacionada á prática da enfermagem psiquiátrica, uma vez que as doenças psiquiátricas tendem á desvinculação psicossocial (isolamento social e apatia), ela pode ser utilizada em quaisquer situações, pois, para realizar o cuidado de enfermagem, há a necessidade de algum tipo de interação com o paciente.

Portanto, a Teoria de Peplau trabalha as relações interpessoais em que os profissionais de enfermagem precisam criar um vínculo com os seus pacientes para que o cuidado de enfermagem seja efetivado com sucesso, se não houver vinculação, dificilmente o enfermeiro conseguirá atuar.

RELAÇÃO INTERPESSOAL – TEORIA 21 PROBLEMAS DA ENFERMAGEM faye ABDELLAH (1960)

Abdellah enfatiza que a assistência de enfermagem deve considerar o indivíduo como um todo nas suas necessidades físicas, sociais, psicológicas, espirituais e familiares. Para isso, a autora desenvolveu os “21 problemas de enfermagem de Abdellah” que tem a finalidade de identificar as necessidades do paciente e quais são as atividades de enfermagem perante a cada problema identificado.

Os “21 problemas de Abdellah” são divididos:

  • Atividades somáticas;
  • Ativiades psicossociais e;
  • Atividades espirituais.

Os 21 problemas descritos por Abdellah são:

  1. Dificuldade em promover higiene física e conforto físicos adequados;
  2. Dificuldade em promover atividade e repouso adequados;
  3. Segurança através de prevenção de acidentes, lesões do físico e de infecção;
  4. Dificuldade de facilitar e manter a mecânica corporal correta;
  5. Dificuldade de facilitar e manter a oxigenação em todos os tecidos do corpo;
  6. Dificuldade de facilitar e manter a nutrição em todos os tecidos do corpo;
  7. Dificuldade de facilitar e manter a eliminação em todos os tecidos do corpo;
  8. Dificuldade de facilitar e manter o equilíbrio hídrico e eletrolítico em todos os tecidos do corpo;
  9. Dificuldade em reconhecer respostas fisiológicas, compensatórias e patológicas do corpo;
  10. Dificuldade de facilitar e manter os mecanismos e funções reguladoras;
  11. Dificuldade de facilitar e manter a função sensorial;
  12. Dificuldade em identificar e aceitar as expressões, sentimentos, reações positivas e negativas;
  13. Dificuldade em fazer inter-relação entre emoções e doenças físicas;
  14. Dificuldade em facilitar e manter a comunicação verbal e não verbal eficaz;
  15. Dificuldade em promover o desenvolvimento de relações interpessoais efetivas;
  16. Dificuldade em facilitar á obtenção de metas espirituais pessoais;
  17. Dificuldade em criar e/ou manter um ambiente terapêutico;
  18. Dificuldade em facilitar o autoconhecimento das suas necessidades físicas, emocionais e de desenvolvimento das suas necessidades físicas, emocionais e de desenvolvimento variáveis para o seu bem estar;
  19. Dificuldade em aceitar as limitações físicas e emocionais;
  20. Dificuldade em utilizar-se dos recursos existentes na sua comunidade para resolver os problemas decorrentes da doença e;
  21. Dificuldade em compreender os problemas sociais/ambientais que influenciam a doença.

Para Abdellah, a saúde é um estado no qual o ser humano tem necessidades satisfeitas, sem problemas reais ou potenciais. O ser humano é um todo biopsicossocial.

RELAÇÃO INTERPESSOAL – Teoria das Necessidades Fundamentais de Virginia Henderson (1964)

Para Virgínia, a meta de enfermagem na Teoria das necessidades fundamentais é trabalhar de forma independente com outros profissionais de saúde, ajudando o paciente a ganhar a independência o mais rápido possível fazendo com que eles coloquem em prática as 14 necessidades fundamentais, a saber:

  1. Respirar bem;
  2. Comer e beber;
  3. Eliminar;
  4. Movimentar-se e manter postura;
  5. Dormir e descansar;
  6. Vestir-se e despir-se;
  7. Manter a temperatura corpórea normal;
  8. Manter o corpo limpo e arrumado;
  9. Evitar perigos do ambiente;
  10. Comunicar-se;
  11. Adorar de acordo com a própria fé;
  12. Trabalhar com satisfação;
  13. Recrear-se;
  14. Aprender;
TEORIAS DE ENFERMAGEM –TEORIA DA RELAÇÃO INTERPESSOAL DE JOYCE TRAVELBEE  (1966)

Para Joyce Travelbee, a enfermagem:

  • É um processo interpessoal que envolve enfermeiro e paciente;
  • Tem o objetivo de ajudar paciente e família a enfrentar a doença.

Para haver o cuidado de enfermagem é necessário a relação interpessoal pessoa –a-pessoa em que o enfermeiro auxilia o indivíduo, a família ou a comunidade através de fases, as saber:

  1. Primeira Impressão – percepção da presença de ambos, paciente e enfermeiro;
  2. Empatia – Compartilhamento das experiências um do outro por já terem experiências semelhantes na vida e pela vontade de entender o outro;
  3. Simpatia – Desejo do enfermeiro em resolver o problema do paciente por meio da relação terapêutica .
TEORIAS DE ENFERMAGEM – TEORIA DE “SISTEMA DE RESULTADOS” DE DOROTHY JOHNSON (1968)

A Teoria de “Sistema de Resultados” de Dorothy Johnson diz que o ser humano possui subsistemas inter-relacionados, controlados por fatores biológicos e transculturais. Esses subsistemas por sua vez são provedores e perpetuadores das condições internas e externas. São eles:

  • Associação-afiliação;
  • Dependência;
  • Ingestão;
  • Eliminação;
  • Sexual;
  • Realização e;
  • Agressivo/Protetor.

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Dorothy Johnson considera que:

  • Deve-se reduzir o estresse para que o paciente possa se recuperar o mais rápido possível;
  • O enfermeiro deve agir para atender as necessidades do paciente;
  • O enfermeiro deve perceber a incapacidade do paciente de adaptar-se e propiciar assistência para a solução dos problemas encontrados.
TEORIAS DE ENFERMAGEM – TEORIA HUMANÍSTICA E HUMANITÁRIA ROGERS (1970)

A teoria de Martha Rogers estimula a criatividade na enfermagem visto que, esta é uma das características cada vez mais exigidas no perfil do enfermeiro frente ás rápidas mudanças tecnológicas e do pensar humano que vem ocorrendo nestes últimos anos.

Rogers define o indivíduo como um ser holístico com as seguintes características:

  • O indivíduo é um todo unificado, indivisível e totalmente integrado ao ambiente. Não podemos reduzi-lo a sistemas e nem a órgãos. O todo do ser humano interage com infinitas dimensões que compõem o Universo (Universo pandimensional);
  • O indivíduo é caracterizado não somente com os limites físicas da pele, mas sim abrange um campo energético em volta dele que tem uma interação com este universo pandimensional;
  • O campo energético do ser humano é aberto e durante todo o tempo está em constante troca de energia com o ambiente em que se encontra. As trocas de energias são trocadas entre o ambiente e o campo energético do homem;
  • Tanto o campo energético do individuo quanto o campo energético do ambiente, ao trocarem energia, provocam alterações nos dois campos. Rogers considera esta mudança mútua de energia no ambiente/indivíduo como sendo de crescimento e atualização, configurando um processo criativo e contínuo.

Rogers nomeia alguns processos que ocorrem dentro do processo de troca de energias entre o ser humano e o ambiente, a saber:

  • Integralidade – É o processo de integração constante, indivisível e total entre os campos humanos e ambientais não importando qual seja a atividade que o indivíduo esteja exercendo. A todo o momento estamos em troca constante e total com o ambiente, mesmos quando estamos dormindo;
  • Ressonância – As trocas de energias entre ser humano e ambiente ocorrem em variadas frequências de ondas, intensidade e velocidade;
  • Helicidade – As respostas provocadas pelas continuas modificações que ocorrem nos campos energéticos tem uma direção única, onde o processo passado vai sendo incorporado ao presente num rítmico dinâmico e não –linear de padrões de resposta.

Rogers afirma que o enfermeiro troca energias com o ambiente, e desta forma pode adquirir características novas tendo sempre capacidade de criatividade e a capacidade de readaptar a cada mudança que ocorre nos campos humano e ambiental. Para ela, o ser humano unitário se caracteriza ainda pelo uso da:

  • Abstração;
  • Sensação;
  • Emoção;
  • Imaginação;
  • Linguagem;
  • Pensamento Produtivo.

Portanto Rogers traz uma grande contribuição para a Enfermagem quando afirma que a sua teoria tem a finalidade de levar á criatividade. O enfermeiro troca sempre de energia com o ambiente e com o infinito, dando-lhe sempre a capacidade de adquirir novas capacidades através da criatividade. Neste sentido, o enfermeiro passa a ter condições de readaptar a cada mudança que o meio ambiente ou o meio interno exigem em cada momento.

TEORIAS DE ENFERMAGEM -TEORIA DO AUTOCUIDADO DE DOROTHEA OREM (1980)

A teoria do autocuidado de Orem engloba:

  • O autocuidado – Práticas iniciadas e executadas pelo próprio indivíduo com finalidade de manutenção de vida e do bem-estar;
  • A atividade de autocuidado – Habilidade do individuo em se engajar no autocuidado;
  • A exigência terapêutica do autocuidado – Totalidade de ações de autocuidado.

Para Orem, o autocuidado é a prática de atividades que o indivíduo executa em prol de sua vida e do seu bem estar e tem os seguintes requisitos:

  • Universais – Atividades de autocuidado no sentido de manutenção da integridade da estrutura e funcionamento humanos. Exemplo: Atividades do cotidiano;
  • Desenvolvimento – Atividades de autocuidado para lidar com mudanças. Exemplo: Adaptação a novo trabalho ou á adaptação ao luto;
  • Desvio de saúde – Atividades de autocuidado no sentido de se recuperar de situações de adoecimento ou moléstia. Exemplo: Mudanças provocadas por diagnóstico médico, ferimentos .

A teoria do cuidado traz dois conceitos importantes:

  1. Intervenção do autocuidado – Capacidade do individuo em cuidar de si mesmo;
  2. Intervenção de cuidados dependentes – O individuo perdeu a capacidade de autocuidado necessitando do outro para exercer o autocuidado.

A grande contribuição da teoria do autocuidado de Orem é relativa ao fato de que o enfermeiro exerce atividades que contribuem para o autocuidado do paciente compensando as suas limitações de modo a reestabelecer o seu bem-estar até que ele tenha condições de exercer o próprio autocuidado.

TEORIAS DE ENFERMAGEM – TEORIA DO AUTOCUIDADO DE KING (1981)

King trabalha a teoria de alcance de metas assumindo que o ser humano tem três estruturas básicas:

  1. Sistema Pessoal – Individuo inserido num ambiente. Apresenta conceitos como percepção, ego, imagem corporal, crescimento, desenvolvimento, tempo e espaço;
  2. Sistema Interpessoal – formado por agrupamento de pessoas: Duas pessoas se relacionando, há uma díade; Três pessoas, tríade e; mais de três pessoas, há uma relação em grupo;
  3. Sistema Social – Reunião de grupos com interesses e necessidades especiais formando organizações e sociedades. Os conceitos do sistema social envolvem a organização, autoridade, poder, status, tomada de decisão e papel.

O foco da teoria é paciente com doenças crônicas de difícil evolução e a finalidade é estabelecer metas de modo a facilitar e encorajar ações do paciente e dos profissionais de enfermagem para a reabilitação e redução de danos cujo processo de enfermagem deve ter as seguintes etapas:

  1. Diagnóstico – Detecção das necessidades de cuidado;
  2. Estabelecimento de metas comuns ao enfermeiro e paciente;
  3. Exploração e viabilização de meios comuns a ambos, para alcançar as metas traçadas;
  4. Evolução – Avaliação contínua do alcance de metas e redefinição das metas quando necessário.
TEORIAS DE ENFERMAGEM – MODELO DE SISTEMAS DE NEUMAN (1972)

Betty Neuman diz que o seu modelo enfatiza a reação da pessoa ao estresse e os fatores de reconstituição ou adaptação. Ela considera que o indivíduo é constituído por um centro cercado por uma série de círculos concêntricos, a saber:

  1. Linha Normal de Defesa;
  2. Linha Flexível de Resistência
  3. Linhas de Resistência representadas por estressores, a reação aos estressores e a reação aos estressores e a reação á unidade total, interagindo com o ambiente.

O individuo é um sistema aberto que está sempre interagindo com forças internas e externas ou a estressores ambientais, estando constantemente em mudança no ambiente, em direção ao equilíbrio e harmonia.

Alguns conceitos importantes para Neuman:

  • Estressores – Forças ou estímulos que atuam sobre o indivíduo produzindo tensão. Podem estar presentes no ambiente interno e externo do sistema impedindo a manutenção do equilíquio.
  • Indivíduo/ homem/ Cliente: Referem-se ao sistema aberto. Está em contato permanente com o ambiente e em constante troca com ele. É composto por variáveis fisiológicas, psicológicas, socioculturais, de desenvolvimento e espirituais;
  • Ambiente: Conjunto de forças internas e externas que circundam o indivíduo a todo o instante. Ambiente Interno é aquele que se relaciona com o cliente e ambiente externo corresponde ao inter e extrapessoal, relacionado com tudo o que é exterior ao cliente.
  • Linhas de Resistência – Fatores internos do indivíduo que tem a função de defesa contra os estressores. Tornam-se ativas quando a linha normal do indivíduo é invadida pelos estressores ambientais. As linhas de resistência são formadas durante o tempo com habilidades fisiológicas, psicológicas, socioculturais, de desenvolvimento e espirituais.
  • Linha Flexível de Defesa – Esta linha de defesa é flexível e pode ser mudada facilmente. Ela tem a função de ser amortecedor par a linha normal de defesa quando o ambiente é estressante. Além disso, age como filtro quando o ambiente oferece apoio servindo de força positiva que contribui para o crescimento e desenvolvimento do indivíduo.

Neste sentido, estressores podem ser:

  • Estressores intrapessoais – Ocorrem dentro do indivíduo. Exemplo: raiva, medo, ciúmes;
  • Estressores interpessoais – Ocorrem entre um ou mais indivíduos. Exemplo: Relações familiares;
  • Estressores extrapessoais – Forças que ocorrem fora do sistema e agem sobre o indivíduo. Exemplo: desemprego.

A enfermagem tem papel primordial no atendimento ao paciente, pois, ao reconhecer que os estressores tem variáveis socioeconômica, psicológica, biológica, de desenvolvimento e/ou espiritual, o enfermeiro pode fazer boa avaliação do impacto e do significado de cada estressor no sistema e estabelecer um plano de cuidados eficientes para minimizar e/ou exaurir o impacto dos estressores que estão causando a doença.

 

TEORIAS DE ENFERMAGEM – TEORIA TRANSCULTURAL DO CUIDADO DE LEININGER (1978)

A teoria transcultural tem as seguintes características:

  • Foco: Estudo da análise comparativa de diferentes culturas e subculturas no que diz respeito ao:
  1. Comportamento relativo ao cuidado geral;
  2. Cuidado de enfermagem;
  3. Valores;
  4. Crenças e;
  5. Padrões de comportamento relacionados a saúde e doença.
  • Objetivo: Desenvolver um corpo de conhecimento científico e humanizado.
  • Definição: A teoria transcultural é um conjunto inter-relacionado de conceito e hipóteses de enfermagem fundamentados nas necessidades de indivíduos e grupos (manifestações de comportamento relativo ao cuidado, valores, crenças).
  • Importância dos aspectos culturais e da necessidade humana nas ações de enfermagem: Enfermeiros que não praticam a enfermagem considerando os considerando os aspectos culturais e da necessidade humana do paciente poderão ter ações de enfermagem ineficazes, e trazer consequências negativas para os assistidos.
TEORIAS DE ENFERMAGEM – MODELO DA ADAPTAÇÃO DE ROY (1979)

Callista Roy entende que a enfermagem:

  • São como uma profissão da área da saúde que centra nos processos de vida humanos;
  • Dá ênfase à promoção da saúde aos indivíduos, famílias, grupos e a sociedade como um todo;
  • Alia ciência com a prática assistencial expandindo a capacidade de adaptação e;
  • Melhora a transformação pessoal do paciente.

Para Roy, a saúde é um reflexo de adaptação da interação entre pessoa e ambiente. A pessoa saudável não está livre da doença, estresse ou da morte, mas a capacidade de lidar com estas situações deve ser a melhor possível.

O modelo da adaptação de Roy considera como objetivos da enfermagem é a promoção dos indivíduos e grupos aos quatros modos de adaptação:

  1. Físico-fisiológico;
  2. Identidade de autoconceito;
  3. Interdependência e;
  4. Desempenho de papel.

Agora vamos ver cada um:

1 – Modo de adaptação físico-fisiológico – Está associado ao ser físico do paciente e diz como ele reage aos estímulos do ambiente. O comportamento é a manifestação fisiológica do organismo apresentando as seguintes necessidades básicas fisiológicas:

  • Oxigenação;
  • Nutrição;
  • Eliminação;
  • Atividade e repouso e;
  • Proteção.

2 – Modo de adaptação do autoconceito – Envolve os aspectos psicológicos e espiritais do sistema humano. É composto por:

  • Ser físico, evidenciado pela Imagem Corporal;
  • Ser pessoal englobando a autoconsciência, autoideal ou expectativa e;
  • Ser ético marcado pelos valores morais e espirituais.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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