Questões de Concurso – Fatores que contribuem para a gravidez de risco

Fatores que contribuem para a gravidez de risco sem necessidade de encaminhar para o Pré-natal de alto risco é um dos temas que mais caem nas provas de concurso, uma vez que, saber identificar uma gestante com quadro de pré-eclâmpsia e referenciá-la ao pré-natal de alto risco/emergência gestacional é muito mais fácil do que diagnosticar os fatores para a gestação de risco que podem realizar o pré-natal na atenção Básica.
prova-300x221 Questões de Concurso - Fatores que contribuem para a gravidez de risco
Neste sentido, trago o conceitos do Caderno de Atenção Básica número 32 de 2013 e algumas questões recentes que abordam o importante tema:

Fatores que contribuem para a gravidez de risco sem necessidade de encaminhar ao pré-natal de alto risco.

Fatores relacionados às características individuais e às condições sociodemográficas
desfavoráveis:

  • Situação conjugal insegura;
  • Baixa escolaridade (menor do que cinco anos de estudo regular);
  • Condições ambientais desfavoráveis;
  • Altura menor do que 1,45m;
  • IMC que evidencie baixo peso, sobrepeso ou obesidade.

Fatores relacionados à história reprodutiva anterior:

  • Recém-nascido com restrição de crescimento, pré-termo ou malformado;
  • Macrossomia fetal;
  • Síndromes hemorrágicas ou hipertensivas;
  • Intervalo interpartal menor do que dois anos ou maior do que cinco anos;
  • Nuliparidade e multiparidade (cinco ou mais partos);
  • Cirurgia uterina anterior;
  • Três ou mais cesarianas.

Fatores relacionados à gravidez atual:

  • Ganho ponderal inadequado;
  • Infecção urinária;
  • Anemia.

QUESTÕES DE CONCURSO – Fatores que contribuem para a gravidez de risco

Questão 1
Ano: 2016 Banca: CONSULPLAN Órgão: Prefeitura de Cascavel – PR
São fatores que podem contribuir para uma gestação de risco, EXCETO:
a) Enjoos e vômitos.
b)Cirurgia uterina anterior.
c)Grávidas com mais de 35 anos.
d) Intervalo entre partos menor que dois anos.
e)Mulheres com uma altura menor que 1,45 m.
Questão 2
Ano: 2014 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: UFC
O acolhimento, em especial à gestante, objetiva fornecer não um diagnóstico, mas uma prioridade clínica. Assim, considera-se fator de risco que pode indicar encaminhamento ao pré-natal de alto risco:
a)gestante com infecção urinária
b)idade menor do que 15 e maior do que 35 anos
c)situação conjugal insegura
d)intervalo interpartal menor do que dois anos
e)gestante com antecedente de trombose venosa profunda

Questão 3

Ano: 2015 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: EBSERH

Sobre os diversos fatores de risco que indicam encaminhamento à urgência/emergência obstétrica, assinale a alternativa INCORRETA
a)Síndromes hemorrágicas.
b) Suspeita de pré-eclâmpsia.
c) Amniorrexe prematura.
d) Isoimunização Rh.
e)Infecção urinária.

COMENTÁRIO  – Questão 1 – Assunto: fatores que contribuem para a gravidez de risco

Questão 1 – Em toda prova de concurso é interessante que observemos o seu enunciado e grifemos as palavras chaves. Aqui a banca afirma que todas as alternativas são fatores que contribuem para a gestação, exceto  uma. Analisemos cada uma:

a) Enjoos e vômitos – Não são considerados fatores de risco. São sinais de presunção de gravidez e por isso são frequentes no primeiro trimestre de gravidez.

b) Cirurgia uterina anterior – Correto

c) Grávidas com mais de 35 anos – Correto

d) Intervalo entre partos menor que dois anos – Correto

e) Mulheres com uma altura menor que 1,45 m – Correto

Gabarito Letra: A

 

Para responder a questão 2 há exigência que conheçamos não apenas os fatores que contribuem para gravidez risco sem necessitar encaminhar para o pré-natal de alto risco, mas aqueles fatores que podem ser referenciados dependendo da da capacidade técnica, de recursos humanos e necessidade ou não de maior complexidade tecnológica da Unidade de Saúde para atender a referida situação.

Bem, vamos lá:

Fatores que contribuem para a gravidez de risco que poderão ser encaminhados para o pré-natal de alto risco.

Portanto, para responder a questão 2 com segurança, vamos elencar os fatores de risco em que a gestante poderá ser encaminhada para o pré-natal de alto risco, segundo o Ministério da Saúde 2012:

Fatores relacionados às condições prévias:

  • Cardiopatias;
  • Pneumopatias graves (incluindo asma brônquica);
  • Nefropatias graves (como insuficiência renal crônica e em casos de transplantados);
  • Endocrinopatias (especialmente diabetes mellitus, hipotireoidismo e hipertireoidismo);
  • Doenças hematológicas (inclusive doença falciforme e talassemia);
  • Hipertensão arterial crônica e/ou caso de paciente que faça uso de anti-hipertensivo (PA>140/90mmHg antes de 20 semanas de idade gestacional – IG);
  • Doenças neurológicas (como epilepsia);
  • Doenças psiquiátricas que necessitam de acompanhamento (psicoses, depressão grave etc.);
  • Doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico, outras colagenoses);
  •  Alterações genéticas maternas;

Antecedente de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar;

  • Ginecopatias (malformação uterina, miomatose, tumores anexiais e outras);
  •  Portadoras de doenças infecciosas como hepatites, toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária (USG com malformação fetal) e outras DSTs (condiloma);
  • Hanseníase;
  • Tuberculose;
  • Dependência de drogas lícitas ou ilícitas;
  • Qualquer patologia clínica que necessite de acompanhamento especializado.
  • Fatores relacionados à história reprodutiva anterior;
  • Morte intrauterina ou perinatal em gestação anterior, principalmente se for de causa
    desconhecida;
  • História prévia de doença hipertensiva da gestação, com mau resultado obstétrico e/ou perinatal (interrupção prematura da gestação, morte fetal intrauterina, síndrome Hellp, eclâmpsia, internação da mãe em UTI);
  •  Abortamento habitual;
  • Esterilidade/infertilidade.

Fatores relacionados à gravidez atual:

  •  Restrição do crescimento intrauterino;
  • Polidrâmnio ou oligoidramnio;
  • Gemelaridade;
  • Malformações fetais ou arritmia fetal;
  • Distúrbios hipertensivos da gestação (hipertensão crônica preexistente, hipertensão
    gestacional ou transitória);
  • Infecção urinária de repetição ou dois ou mais episódios de pielonefrite (toda gestante com
    pielonefrite deve ser inicialmente encaminhada ao hospital de referência, para avaliação);
  •  Anemia grave ou não responsiva a 30-60 dias de tratamento com sulfato ferroso;
  • Portadoras de doenças infecciosas como hepatites, toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária (USG com malformação fetal) e outras DSTs (condiloma);
  • Infecções como a rubéola e a citomegalovirose adquiridas na gestação atual;
  • Evidência laboratorial de proteinúria;
  • Diabetes mellitus gestacional;
  • Desnutrição materna severa;
  • Obesidade mórbida ou baixo peso (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante para avaliação nutricional);
  • NIC III (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante ao oncologista);
  • Alta suspeita clínica de câncer de mama ou mamografia com Bi-rads III ou mais (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante ao oncologista);
  • Adolescentes com fatores de risco psicossocial.

Agora ficou fácil:

COMENTÁRIO – Questão 2 – Assunto: fatores que contribuem para a gravidez de risco.

Questão 2 – A banca pede o fator de risco que deverá ou não ser encaminhado ao pré-natal de alto risco dentro os fatores sem necessidade para referenciar o pré-natal de alto risco.

a)gestante com infecção urinária – Sem necessidade.
b)idade menor do que 15 e maior do que 35 anos – Sem necessidade.
c)situação conjugal insegura – Sem necessidade.
d)intervalo interpartal menor do que dois anos -Sem necessidade.
e)gestante com antecedente de trombose venosa profunda – Com necessidade.
Alternativa Correta letra E.
ADA
Para responder a questão 3, ainda precisamos de mais conhecimentos. Vejamos o que diz o Caderno de Atenção Básica de nº 32:

Fatores que evidenciam gravidez de risco com necessidade de encaminhamento para o pré-natal de alto risco ou urgência/emergência obstétrica.

São fatores de risco para urgência e emergência obstétrica:

  • Síndromes hemorrágicas (incluindo descolamento prematuro de placenta, placenta prévia), independentemente da dilatação cervical e da idade gestacional;
  • Suspeita de pré-eclâmpsia: pressão arterial > 140/90, medida após um mínimo de 5 minutos de repouso, na posição sentada. Quando estiver associada à proteinúria, pode-se usar o teste rápido de proteinúria;
    Obs.: Edema não é mais considerado critério diagnóstico (grau de recomendação C).
  • Sinais premonitórios de eclâmpsia em gestantes hipertensas: escotomas cintilantes, cefaleia típica occipital, epigastralgia ou dor intensa no hipocôndrio direito;
  • Eclâmpsia (crises convulsivas em pacientes com pré-eclâmpsia);
  • Crise hipertensiva (PA > 160/110);
  • Amniorrexe prematura: perda de líquido vaginal (consistência líquida, em pequena ou grande quantidade, mas de forma  persistente), podendo ser observada mediante exame especular com manobra de Valsalva e elevação da apresentação fetal;
  • Isoimunização Rh;
  • Anemia grave (hemoglobina < 8);
  • Trabalho de parto prematuro (contrações e modificação de colo uterino em gestantes com menos de 36 semanas);
  • IG a partir de 41 semanas confirmadas;
  • Hipertermia (Tax > = 37,8C), na ausência de sinais ou sintomas clínicos de Ivas;
  • Suspeita/diagnóstico de abdome agudo em gestantes;
  • Suspeita/diagnóstico de pielonefrite, infecção ovular ou outra infecção que necessite de internação hospitalar;
  • Suspeita de trombose venosa profunda em gestantes (dor no membro inferior, edema localizado e/ou varicosidade aparente);
  • Investigação de prurido gestacional/icterícia;
  • Vômitos incoercíveis não responsivos ao tratamento, com comprometimento sistêmico com menos de 20 semanas;
  • Vômitos inexplicáveis no 3º trimestre;
  • Restrição de crescimento intrauterino;
  • Oligoidrâmnio;
  • Casos clínicos que necessitem de avaliação hospitalar: cefaleia intensa e súbita, sinais neurológicos, crise aguda de asma etc. Nos casos com menos de 20 semanas, as gestantes podem ser encaminhadas à emergência clínica.
  • Óbito fetal

COMENTÁRIO – Questão 3 – Assunto: fatores que contribuem para a gravidez de risco.

Sobre os diversos fatores de risco que indicam encaminhamento à urgência/emergência obstétrica, assinale a alternativa INCORRETA

a)Síndromes hemorrágicas – Exemplo abortamento, gravidez ectópica, mola hidatiforme. Urgência/emergência
b) Suspeita de pré-eclâmpsia. Urgência/emergência
c) Amniorrexe prematura. Urgência/Emergência
d) Isoimunização Rh. Urgência/emergência
e)Infecção urinária. Pode ser tratada na atenção básica sem ser referenciado para o alto risco.

Gabarito letra E

marcus

Olá, meu nome é Marcus Vinícius, tenho 32 anos. Sou blogueiro, enferrmeiro e referência técnica do Centro de Atenção Psicossocial CAPS I de Lagoa da Prata/MG. Sou graduado em Enfermagem pela Universidade de Uberaba UNIUBE. Os meu objetivo neste blog é trazer um conteúdo esquematizado e de fácil entendimento para te auxiliar nas suas pesquisas e estudos na área de enfermagem, saúde pública e saúde como um todo.

Website: http://www.enfermagemesquematizada.com.br

Deixe uma resposta