Pneumotórax

Conceito de Pneumotórax

O pneumotórax é uma disfunção respiratória restritiva que quer dizer, “ar no tórax”. Restritiva porque limita a capacidade de respiração através da dispneia. Pode causar o colapso total ou parcial do pulmão afetado.

Em outras palavras, pneumotórax pode ser definido como a presença ou o acúmulo de ar na cavidade pleural, entre as pleuras parietal e visceral, membranas que recobrem os pulmões.

O ar se acumula no tórax devido a presença de uma lesão na pleura. O ar que deveria estar no pulmão começa a entrar na cavidade torácica.

 

Tipos

Há dois tipos de pneumotórax:
1 – Espontâneo Primário – Ocorre em pacientes sem doença pulmonar evidente;
2 – Espontâneo Secundário – Surge como uma complicação em pacientes com doença pulmonar conhecida como asma e enfisema pulmonar.

 

Classificação

O pneumotórax pode ser classificado em:
1 – Assintomático
2 – Sintomático
3 – Hipertensivo

 

Pneumotórax Assintomático
Sem sintomas aparentes.

Pneumotórax Sintomático
Paciente apresenta sintomas evidentes como a dispneia e dor no hemitórax acometido.

Pneumotórax Hipertensivo
Trata-se de uma emergência médica que exige intervenção rápida com a finalidade de aliviar a pressão intrapleural.

O pneumotórax hipertensivo surge quando a pressão intrapleural do ar acumulado entre as pleuras visceral e parietal torna-se superior à pressão atmosférica. Como consequência disto, o pulmão acometido se projeta contralateralmente no *mediastino empurrando os órgãos nele contidos.

Isto pode causar um pinçamento nas veias cavas obstruindo o retorno venoso para o coração. Como consequência há a diminuição do débito cardíaco, dispneia muito grave e forte instabilidade hemodinâmica.

*Mediastino é o compartimento central da cavidade torácica onde estão contidas todos órgãos e estruturas torácicas, com exceção dos pulmões.

 

Também pode ser classificado em:

Espontâneo Primário – O paciente não é portador de doença pulmonar, com exceção da presença pequenas bolhas subpleurais;

Espontâneo Secundário – O paciente é portador de alguma patologia pulmonar como DPOC ou pneumonia;

Adquirido Neonatal – Ocorre após o nascimento em decorrência da aspiração de muco, sangue ou mecônio;

Adquirido Iatrogênico – Surge como complicação de procedimentos invasivos como toracocentese, acupuntura, biópsia pleural e outras ;

Adquirido barotrauma – Surge como complicação da ventilação mecânica;

Adquirido traumático – Ocorre em casos de acidentes principalmente quando há fraturas de costelas. Pode ser com trauma aberto ou fechado.

 

Diagnóstico

O diagnóstico é baseado na anamnese e exame físico, e confirmado através de exames de imagens.

 

Sintomas:

Os principais sintomas são:

  • Dor torácica;
  • Dispneia – É proporcional ao tamanho, velocidade do acúmulo de ar na cavidade pleural e à capacidade de troca gasosa do pulmão acometido.

Podem estar presentes:

  • Tosse;
  • Cianose – Quando há dificuldade de trocas gasosas o sangue não é oxigenado adequadamente;
  • Taquicardia – o coração se esforça enviando mais sangue para ser oxigenado;
  • Hipotensão arterial – em casos de pneumotórax hipertensivo, que comprime as veias cavas reduzindo o retorno venoso para o coração e o débito cardíaco.

 

Exame físico

  • Geralmente observa-se a redução do frêmito toracovocal e murmúrio vesicular;
  • Há uma redução da expansibilidade da caixa torácica;
  • Aumento do volume do hemitórax acometido pela disfunção;
  • Aumento do timpanismo à percussão no hemitórax envolvido.

 

Exames para Diagnóstico

A radiografia simples de tórax pode confirmar o diagnóstico através da visualização de faixa de ar na caixa torácica e/ou entre a pleura visceral e o diafragma.

 

Tratamento

O tratamento do pneumotórax dependerá de vários fatores. Cada fator determinará algumas condutas que vão desde a tratamentos mais conservadores em observação domiciliar bem como uma toracotomia com pleurectomia (incisão na pleura para extirpar o ar aprisionado) e ressecção pulmonar.

São fatores que influenciam qual o melhor tratamento a determinar:

  • Intensidade dos sintomas;
  • Primeiro episódio;
  • Recorrências;
  • Pneumotórax simples ou complicado (presença de infecção ou hemotórax);
  • Doenças pulmonares pré-existentes;
  • Necessidade de Ventilação Mecânica;
  • Ocupação do paciente.

 

Tratamento do Pneumotórax espontâneo primário com disfunção menor do que 3 cm.

Trata-se de uma disfunção respiratória restritiva em que surge sem uma doença clínica associada.

Surge principalmente em fumantes.

Geralmente a condição clínica do paciente é estável com oxigenação e sinais vitais preservados. Já o tamanho da disfunção é menor do que 3 centímetros.

O tratamento é geralmente conservador, sendo as primeiras horas após o inicio da disfunção no setor de emergência e depois em casa.

É necessário reavaliação periódica.

 

Tratamento do Pneumotórax espontâneo primário com disfunção maior do que 3 cm e paciente estável – Pneumotórax grande

O paciente deverá permanecer no hospital por pelo menos 24 horas;

Deverá ser feito procedimento invasivo para corrigir a expansibilidade do parênquima pulmonar que se encontra prejudicada. Uma simples aspiração de pneumotórax ou drenagem torácica é fortemente indicada.

Não há a necessidade de colocação de drenos calibrosos somente de drenos finos.

 

Tratamento do Pneumotórax espontâneo primário com disfunção maior do que 3 cm e paciente instável.

Neste tipo de disfunção respiratória, o paciente apresenta alto risco de morte devido à instabilidade do quadro.

Deve ser realizado o mesmo tratamento do pneumotórax grande, porém os procedimentos deverão ser feitos com urgência com a finalidade de descompressão rápida do pulmão acometido e reversão da instabilidade clínica.

 

Pneumotórax espontâneo primário recidivado

Quando a disfunção respiratória ocorre sem uma doença pulmonar pré-existente e com recidiva. Geralmente o pneumemotórax pode voltar a ressurgir em 20 a 50% dos casos. Já apos o segundo episódio, o paciente tem risco de 60 a 80% de chance de desenvolver o terceiro episódio.

Geralmente quando o paciente já teve a disfunção respiratória e volta a ter novamente, o simples tratamento de corrigir a expansão pulmonar não é suficiente. Será necessário realizar uma toracoscopia para identificar o que está gerando o pneumotórax naquela região.

 

Pneumotórax espontâneo secundário

Ocorre quando o paciente tem uma patologia pulmonar pré-existente como DPOC, pneumonia, enfisema pulmonar e tuberculose. Assim, é necessário corrigir o que está causando o acúmulo de ar entre as pleuras visceral e parietal e realizar os tratamentos oferecidos ao pneumotórax espontâneo primário discutidos nas linhas anteriores. O paciente obrigatoriamente deverá ser internado.

 

Pneumotórax adquirido ou iatrogênico

Surge como uma consequência de procedimentos médicos invasivos como a toracocentese e biópsias trans-torácicas, e acidentes (secundários a fraturas de costelas).

O tratamento dependerá do tamanho da disfunção respiratória, doenças associadas, condições clínicas do paciente e ventilação mecânica.

 

Em geral o tratamento para pneumotórax deverá garantir:

  • Adequada expansibilidade pulmonar;
  • Bons funcionamentos dos drenos;
  • Monitorização eficiente da presença de fístula aérea.

 

Além disso, faz-se fundamental a realização periódica de exame físico e radiografias simples de tórax.

Após a alta hospitalar, o paciente terá que fazer retornos periódicos para reavaliação e evitar a realização de exercícios físicos ou esforço por um mês.

O paciente poderá voltar a trabalhar após 15 dias de resolução completa do quadro.

canetas seringas

 

Referências Bibliográficas

 

FILHO, Et Al. Pneumotórax. Jornal Brasileiro de Pneumologia. São Paulo, vol. 32, nº4, Ago. 2006. Disponível em <htts://scielo.br>. Acesso em 08/09/2018.

GOMES; Claúdio Amaro. Pneumotórax. Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácia. São Paulo. Disponível em <https://www.sbct.org.br/>. Acesso em 08/09/2018.

Smeltzer SC, Bare BG. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem MédicoCirúrgica. 12 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. vol. I e II.

Marcus Vinícius

Olá, meu nome é Marcus Vinícius. Sou blogueiro, enfermeiro e responsável técnico pelo Centro de Atenção Psicossocial CAPS I do Município de Lagoa da Prata/MG. Este blog tem o objetivo de trazer um conteúdo esquematizado e de fácil assimilação. Aproveite e entre em contato em caso de dúvidas e sugestões!

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