Pé diabético

Pé diabético

Pé diabético é o termo utilizado para nomear várias complicações e alterações que podem ocorrer, de forma isolada ou em conjunto, nos pés e membros inferiores de pessoas diabéticas sendo caracterizado por pelo menos uma das alterações:

  • neurológicas;
  • ortopédicas;
  • Vasculares e;
  • infecciosas,

É importante salientar que não há a necessidade lesão em estágio terminal, necrosado e infectado para se ter o diagnóstico de pé diabético basta a presença de um das alterações relatadas acima.


Sinais e sintomas

São sintomas do pé diabético:

a)Sensoriais:

  • Sensação de queimação;
  • Pontadas e dormência;
  • Dor e agulhadas nos pés;
  • Sensação de formigamentos frequentes;
  • Sensação de frio nos pés;
  • Cãibras.

b) Motores:

  • Dedos em martelo;
  • Dedos em garra;
  • Pé cavo;
  • Proeminências ósseas;
  • Calosidades;
  • Úlcera plantar.

c) Autonômicos:

  • Ressecamento do pé;
  • Fissuras;
  • Hiperemia;
  • Hipertermia;
  • Edema devido á abertura de comunicações arteriovenosas;
  • Alterações Ungueais.

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Complicações do Diabetes que contribuem para o risco aumentado de pés diabéticos.

O diabetes não tratado e a hiperglicemia recorrente levam a algumas complicações crônicas que, se não tratados, geram problemas nos membros inferiores e pés, como:

  1. Neuropatia;
  2. Doença vascular periférica;
  3. Imunocomprometimento.

1 – Neuropatia

Existem duas teorias que tentam explicar a origem da neuropatia (uma das causas do pé diabético):
1 – Teoria vascular – A hiperglicemia causa uma microangiopatia, que por sua vez leva á isquemia e lesão do nervo;
2 – Teoria bioquímica – A glicose é quebrada em sorbitol e frutose que acumulando causaria lesão no nervo.

As consequências dessas mudanças para os pés do paciente com diabetes se refletem em dois tipos de neuropatia:

I – Neuropatia Sensitiva 

a) O paciente perde gradualmente a sensibilidade tátil e dolorosa, tornando os pés vulneráveis a traumas. Em outras palavras, o paciente perde a sensação protetora. Sensação protetora é quando encostamos em algo quente, por exemplo, e por meio de reflexo afastamos logo o agente traumatizante para cessar o efeito danoso. Dessa forma, o diabético, com perda de sensibilidade, não tem noção tátil e dolorosa do agente traumatizante. Ex.: Paciente pisa em um objeto cortante no chão ou feri-se com ponta da tesoura ao cortar unhas mas sente que teve uma lesão.

b) Provoca também a atrofia da musculatura do pé, propiciando um desequilíbrio entre músculos flexores e extensores, desencadeando deformidades nas articulações dos dedos (Ex.: dedos em “martelo”, em “garra”, dedos sobrepostos uns aos outros, joanetes). Tais deformações levam a alteração de pontos de pressão na região plantar que com a deambulação formam calos e posteriormente evolui para ulceração plantar.

c) A perda da integridade da pele, evidenciada por lesões, constituem importante porta de entrada para o desenvolvimento de infecções. Com a evolução poderão necessitar de amputação.

II – Neuropatia Autonômica

A neuropatia autonômica pode ser conceituada por lesão do Sistema Nervoso Autônomo, em especial os Nervos Simpáticos.

a) Causa a perda do tônus vascular, gerando a vasodilatação e abertura de comunicações entre o sistema arterial e o venoso. A passagem direta de sangue da rede arterial para a rede venosa sem passar pelos tecidos reduz a nutrição dos mesmos;

b) Causa também anidrose (ausência ou diminuição de sudorese), gerando o ressecamento da pele. A pele seca é propícia para a formação de fissuras (rachaduras) tornando-se porta de entrada para infecções.

2 – Doença Vascular Periférica

A doença vascular periférica é resultado de uma agressão provocada pela hiperglicemia. É importante mencionar que o endotélio vascular (células achatadas que recobrem o interior dos vasos sanguíneos) tem as seguintes funções:

  • Regular o fluxo sanguíneo;
  • Controlar a hemostasia (manter o sangue dentro dos vasos sem coagular e nem extravasar);
  • Controlar o tônus vascular (manter um grau de constrição dos vasos sanguíneos de modo a garantir o fluxo sanguíneo pelo corpo);
  • Estabelecer o tráfego de leucócitos (garantir a defesa imunológica);
  • Garantir a migração e proliferação das células musculares lisas da parede arterial e;
  • Controlar a permeabilidade endotelial (por exemplo, garantir que nutrientes e oxigênio cheguem em todos os tecidos e produtos do metabolismo e gás carbônico sejam retirados);

A doença vascular periférica surge através do diabetes não tratado. A hiperglicemia lesiona as células endoteliais levando á arterosclerose e limitação das funções endoteliais (relatadas acima). Com isso, há perda do controle vasomotor associado ao espessamento do endotélio vascular, redução do fluxo sanguíneo, que, levam á isquemia (falta de oxigênio provocado por baixo fluxo de sangue) contribuindo para o aparecimento do chamado pé diabético.

3 – Imunocomprometimento

A hiperglicemia prejudica a capacidade dos leucócitos especializados na destruição de bactérias. Logo, há uma resistência diminuída a determinadas infecções no diabetes não controlado.

Características de alto risco

São características de alto risco para o pé diabético:

  • Duração do diabetes de mais de 10 anos;
  • Idade acima dos 40 anos;
  • Tabagismo;
  • Pulsos periféricos diminuídos;
  • Sensação diminuída;
  • Deformação anatômicas ou áreas de pressão (calos, dedos em martelo);
  • História de úlceras de pé;
  • História de amputação devido ao diabetes.

Início de ferida no pé diabético

Pacientes com pés insensíveis não sentem lesões que podem ser:

  • Térmicas – Ex.: Testar água quente de banho com os pés e caminhar sobre o asfalto quente;
  • Químicas – Ex.: Queimar o pé ao utilizar agentes cáusticos para em calos e joanetes;
  • Traumática – Ex.  Pisar sobre objeto cortante, lesionar a pele ao cortar unhas, caminhar com um objeto estranho e não detectado no calçado, utilizar calçados e meias apertados ou com má adaptação.

O fato do paciente não inspecionar os pés por completo e diariamente faz com que uma fissura ou ou pequena lesão passe despercebida, infeccione e torne uma grande infecção. Muitas vezes o paciente só percebe que tem alguma problema nos pés quando surgem drenagem, inchaço, rubor da perna (devido a celulite) e gangrena.

Prevenção

A prevenção de complicações do pé diabético envolve:

  • Ensino do paciente quanto ao cuidado adequado aos pés;
  • Inspeção diária e cuidadosa dos pés para detectar bolhas, fissuras, calos, ulcerações e alteração da temperatura cutânea;
  • Pacientes com calos e joanetes devem procurar profissionais especializados para evitar traumas;
  • Lavar, secar e lubrificar satisfatoriamente os pés, evitando acumular umidade entre os artelhos;
  • Utilizar calçados adequados para os pés de forma a não ter pontos de pressão;
  • Evitar andar descalço e calçados abertos;
  • Evitar raspar os calos;
  • Cortar as unhas dos pés em linha reta e lixar adequadamente os cantos para acompanhar o contorno do artelho;
  • Reduzir os fatores de risco como a elevação de lipídeos sanguíneos (HDL, VLDR e triglicerídeo, que contribuem para a doença vascular periférica;
  • Evitar remédios caseiros e populares e a automedicação para tratar os pés;
  • Tratar a hiperglicemia para reduzir a resistência diminuída a infecções.

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Referências Bibliográficas

CAIAFA, Jacson Silveira Et Al. Atenção Integral ao Portador de Pé Diabético. Jornal Vascular Brasileiro, São Paulo, v. 10, n. 4, 2011. Disponível em <www.scielo.br>. Acesso em 06 de out. 2017.

FOSS-FREITAS, Maria Cristina; JÚNIOR, Wilson Marques; FOSS, Milton Cesar. Neuropatia Autonômica: Uma Complicação de Alto Risco no Diabetes Melito Tipo 1. Arquivo Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, São Paulo, v.52, n. 2, jan. 2008. Disponível em <www.scielo.br>. Acesso em 06 de out. 2017.

NASCIMENTO, Osvaldo José Moreira; PUPE, Camila Castelo Branco; CAVALCANTI, Eduardo Boiteux Uchôa. Neuropatia Diabética. Revista Dor, São Paulo, v.17, s. 1, 2016. Disponível em <www.scielo.br>. Acesso em 06 de out. 2017.

 

marcus

Olá, meu nome é Marcus Vinícius, tenho 32 anos. Sou blogueiro, enferrmeiro e referência técnica do Centro de Atenção Psicossocial CAPS I de Lagoa da Prata/MG. Sou graduado em Enfermagem pela Universidade de Uberaba UNIUBE. Os meu objetivo neste blog é trazer um conteúdo esquematizado e de fácil entendimento para te auxiliar nas suas pesquisas e estudos na área de enfermagem, saúde pública e saúde como um todo.

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