Osteoporose

A osteoporose pode ser definida como uma diminuição da massa óssea e enfraquecimento do tecido ósseo, tendo como a principal consequência a fragilidade e o risco de fratura. É uma das principais causas de morte e de adoecimento na população idosa.

Fisiopatologia

Para o melhor entendimento da fisiopatologia da osteoporose vamos conhecer duas células ósseas:

  1. Osteoblastos: São células responsáveis pela síntese dos componentes ósseos: matriz óssea, colágeno, glicoproteínas e proteoglicanos. Em outras palavras, estas células tem a função de aumentar a massa óssea.
  2. Osteoclastos: São células responsáveis pela reabsorção e modelagem do tecido ósseo.

Normalmente há um equilíbrio entre a formação e reabsorção óssea. A osteoporose ocorre justamente quando a reabsorção óssea é maior que do que a velocidade de formação.

O pico de massa óssea ocorre aos 30 anos, sendo que a quantidade de tecido ósseo é maior no homem do que na mulher. A partir dessa idade, começa-se a perder 0,3% ao ano. Na mulher a perda pode chegar a 3% ao ano após a menopausa, e é ainda maior na mulher sedentária.

Há dois tipos de osteoporose, a primária e a secundária.

Osteoporose Primária

Esta é a forma mais comum. É diagnosticada quando há o enfraquecimento ósseo sem que haja relação com outras doenças. Tem causa desconhecida.

Divide-se em:

  • Osteoporose tipo I ou pós-menopausa: Acontece na mulher após a menopausa;
  • Osteoporose tipo II ou senil: Relacionada ao envelhecimento.

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Osteoporose Secundária

Associada a outras doenças e a medicamentos. Por exemplo, o fármacos glicocorticoides inibem a absorção intestinal de cálcio, aumentam a atividade osteoclástica de reabsorção óssea e diminuem a atividade osteoblástica de formação óssea.

Exemplos de doenças que podem provocar osteoporose

Hipogonadismo, hiperparatireoidismo, hipertireoidismo, doença cefálica, lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, doença pulmonar obstrutiva crônica, síndrome da imunodeficiência adquirida, deficiência ou insuficiência de vitamina D, deficiência de cálcio, ingestão excessiva de álcool, anorexia nervosa, e outras.

Exemplos de medicamentos que podem provocar enfraquecimento ósseo

Glicocorticoides, fenobarbital, fenitoína, carbamazepina, ácido valproico, ciclosporina, tacrolimo, micofenolato, heparina, tamoxifeno, pioglitazona, rosiglitazona e outros.


 

Fatores de Risco

São fatores de risco que levam ao enfraquecimento ósseo e o aumento de risco de fraturas:

Riscos Ambientais

  • Álcool e cigarro – inibem a multiplicação dos osteoclastos;
  • Cafeína – Aumenta a excreção de cálcio;
  • Inatividade, má nutrição, dieta rica em fibras, sódio e proteínas – diminui a excreção de cálcio;
  • Nuliparidade;
  • Amenorreia por exercícios (ausência do fluxo menstrual);
  • Menopausa precoce;
  • Endocrinopatias.

Riscos Individuais

  • Idade;
  • Sexo;
  • Presença de escoliose;
  • Indivíduos magros;
  • Baixa estatura;
  • Aparecimento prematuro de cabelos brancos;
  • Índice de massa corporal;
  • Estilo de vida;
  • História familiar.

 

Dados Epidemiológicos

No mundo, estima-se que 50% das mulheres e 20% dos homens sofrerão de fratura provocada pelo enfraquecimento ósseo ao longo da vida.

Quanto a óbitos pós fratura, cerca de 5% dos clientes que fraturam o quadril vão a óbito durante internação hospitalar. Esse número aumenta para 12% depois de 3 meses de internação contínua. Já após 1 ano de internação, esse número passa para 20%.

Além disso, cerca de 1/3 das mulheres brancas acima dos 65 anos são portadoras da osteoporose no mundo. A  partir dos 75 anos, 50% das mulheres sofrem de fraturas decorrem de ossos frágeis.

Em relação ao Brasil, pesquisas revelam que a população brasileira propensa a desenvolver a osteoporose, aumentou de 7,5 milhões, em 1980, para 15 milhões, em 2000.

0bs.: Quanto aos dados estatísticos de prevalência de osteoporose e incidência de fraturas e quedas, ainda são escassos no Brasil.


Complicações clínicas

  • Fraturas;
  • Dor crônica;
  • Depressão;
  • Deformidade;
  • Perda da independência;
  • Aumento da mortalidade.

 

Tratamento

A melhor forma de tratamento para a osteoporose é a prevenção. O pico de massa óssea é fundamental aos 30 anos e é dependente de ingestão de cálcio e vitamina D, da atividade física, da função menstrual normal. Vamos citar alguns formas de tratamento e prevenção importantes:

Cálcio

Principais fontes:

  • Leite e derivados;
  • Espinafre;
  • Brócolis;
  • Couve-manteiga.

Para tratamento da osteoporose, a quantidade necessária de cálcio para ser absorvida pode ser insuficiente sendo indicado a suplementação com carbonato de cálcio (40% de cálcio).

Vitamina D

A vitamina D é sintetizada na pele através da ação dos raios solares ultravioleta. Sofre transformações nos rins e fígado para tornar-se ativa. Tem a função de melhorar a absorção intestinal de cálcio.

Reposição Hormonal com Estrógenos

A perda de massa óssea é acelerada após a menopausa uma vez que os ovários param de produzir o estradiol. Esse hormônio tem funções de:

  • Inibir a reabsorção óssea;
  • Melhorar o perfil lipídico;
  • Protegem os dentes e o cérebro;
  • Diminui o risco de Alzheimer.

Reposição Hormonal com Calcitonina

A calcitonina é um hormônio produzido pela tireoide que tem a capacidade de controlar os níveis séricos de cálcio e fósforo. Seu mecanismo de ação é inibir a reabsorção óssea e também tem também um efeito analgésico.

Bisfosfonatos

Atuam diminuindo a reabsorção óssea.

Ipriflavona

Inibe a reabsorção óssea e possivelmente pode também atuar na formação.

Fluoreto de sódio

Tem a função de aumentar a mineralização do osso trabecular.

Atividade física

Os exercícios promovem:

  • Fortalecimento muscular e melhora da propriocepção – Diminui a incidência de quedas;
  • Previnem a reabsorção óssea – principalmente atividades aeróbias de baixo impacto como caminhadas;
  • Aumento da massa muscular e a força dos músculos esqueléticos – especialmente os exercícios com peso leve.

Obs.: A diminuição da força do músculo quádriceps é um risco para o surgimento de fraturas do quadril.


Prevenção de quedas

Para a prevenção de quedas e a ocorrência de fraturas nas pessoas com osteoporose deve-se:

  • Utilizar calçados com solas de borracha;
  • Procura apoio de bengalas, caso aja necessidade de estabilizar a marcha;
  • Tomar cuidado com pisos escorregadios;
  • Colocar piso antiderrapante;
  • Evitar andar de meias;
  • Usar barras de apoio no banheiro;
  • Utilizar tapetes de borracha;
  • Fazer rampas em degraus;
  • Melhorar a disposição dos móveis de modo a não prejudicar a locomoção pelos espaços da casa;
  • Á noite, utilizar luzes de orientação para auxiliar na locomoção dentro de casa.

 

Referências Bibliográficas

GALI, Julio Cesar. Osteoporose. Acta Ortopédica Brasileira, v.9, n. 2, abr-jun de 2001. Disponível em <www.scielo.br>. Acesso em 01 de dez. de 2017.

SILVA, Maria Rita de Sousa; ANDRADE, Sara Rosa de Sousa; AMARAL, Waldemar Naves. Fisiopatologia da osteoporose: uma revisão bibliográfica. Feminina, v.43, n. 6, Nov-dez 2015. Disponível em <files.bvs.br>. Acesso em 01 de dez. de 2017.

Smeltzer SC, Bare BG. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem MédicoCirúrgica.
12 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.

 

 

marcus

Olá, meu nome é Marcus Vinícius, tenho 32 anos. Sou blogueiro, enferrmeiro e referência técnica do Centro de Atenção Psicossocial CAPS I de Lagoa da Prata/MG. Sou graduado em Enfermagem pela Universidade de Uberaba UNIUBE. Os meu objetivo neste blog é trazer um conteúdo esquematizado e de fácil entendimento para te auxiliar nas suas pesquisas e estudos na área de enfermagem, saúde pública e saúde como um todo.

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