Hipotireoidismo

Hipotireoidismo

Hipotireoidismo é um distúrbio provocado pela produção reduzida de hormônios tireoidianos que pode ocorrer em todas as idades, porém aparece com maior frequência na faixa etária que vai dos 40 aos 60 anos. Atinge mais mulheres (proporção de 4 mulheres para cada homem).

O hipotálamo sintetiza e secreta o liberador de tireotrofina (TRH) que atua na hipófise anterior fazendo com ela secrete o hormônio estimulador da tireóde (TSH), que, ao cair na corrente sanguínea e chegar até a tireóide, faz com ela secrete triiodotironina (t3) e tiroxina (T4), aumentando o metabolismo por todo o corpo.

Os hormônios tireoidianos exercem um feedback negativo, ou seja, quando eles são secretados pela tireóide, haverá sinalização para que a hipotálamo diminua a produção de TRH. Menos TRH no sangue, menos a hipófise anterior irá produzir TSH, e consequentemente a produção de T3 e T4 irá diminuir pela tireoide. Por outro lado, se T3 e T4 estiver em níveis plasmáticos baixos, a hipótalamo será sinalizado para aumentar a secreção de TRH, de modo que haja um controle hormonal satisfatório do metabalismo, o que chamamos de fedback negativo de T3 e T4.


 

Sinais e sintomas

  • Fadiga extrema que dificulta que a pessoa complete um dia inteiro de trabalho;
  • Queda de cabelos;
  • Unhas quebradiças;
  • Pele seca;
  • Dormência;
  • Distúrbios menstruais como a amenorregia (cessação da menstruação) e menorragia (aumento excessivo da quantidade de fluxo menstrual);
  • Perda da libido;

Sintomas no hipotireoidismo grave

  • Temperatura e frequência cardíaca lentificada;
  • Ganho de peso mesmo sem aumento da ingesta corporal;
  • Mixedema (inchaços de face e pálpebras formando uma espécie de “bolsas” sob os olhos;
  • Cabelos ficam finos e começam a cair;
  • Queixa de frio mesmo em ambientes aquecidos;
  • Paciente se torna apático e face sem expressões;
  • Mãos e pés aumentam de tamanho;
  • Podem ocorrer derrame pleural, derrame pericárdio e fraqueza da musculatura respiratória;

Estágio Avançado e Crítico do Hipotireoidismo

  • Hipoventilação alveolar provocado pela fraqueza dos músculos da respiração;
  • Retenção progressiva de dióxido de carbono;
  • Letargia e estupor podendo evoluir para coma mixedematoso.

Etiologia

O hipotireodismo é uma condição caracterizada pela diminuição da produção T3 e T4 e pode ocorrer devido três causas:

  1. – Secreção diminuída de T3 e t4 que também pode estar associaciado á baixa secreção de hormônio liberador de tireotrofina (TRH) a partir do hipotálamo.2 – Diminuição da ação do TSH;
    3 – Aumento da resistência periférica aos hormônios tiroidianos (T3 e T4).
    Para melhor didática, vamos classificar o hipotiroidismo em:
    Hipotireodismo central cujas causas são relativas ao Sistema Nervoso Central como baixa secreção de hormônio liberador de tireotrofina (TRH) e diminuição da ação do TSH;
    Hipotireodismo periférico caracterizado pela diminuição da resistência periférica ao T3 e T4.

Hipotireoidismo Central

Tem múltiplas causas como:

  • Perda de tecido funcional relativo a tumores, traumas, Infecções vasculares, infiltrativas, inflamatórias e congênitas;
  • Mutações genéticas provocadas por drogas como a dopamina e glicocorticoides levam a defeitos funcionais na síntese ou na liberação do TSH.

Hipotireoidismo Periférico

O aumento da resistência periférica aos hormônios tireoidianos pode ser causados por mutações em genes importantes na resposta ao T3 e T4.


Diagnóstico de Hipotireoidismo

O diagnóstico laboratorial de hipotireoidismo é de extrema importância visto que os sinais e sintomas são inespecíficos. O diagnóstico é realizado através da dosagem sérica de TSH e T4 livre sendo que, no inicio do distúrbio há aumento de TSH e com a evolução do quadro, há redução dos níveis de T4 livre. Em condições normais, se o TSH estiver alto, o  T4 também deveria estar, pois o TSH estimula a tireóide a produzir T4.
Obs.:Casos de hipotireodismo central, pode ser necessário a realização de ressonância magnética para definir a sua etiologia.

O hipotireoidismo pode ser causado por:

  • Doença auto-imune (tireoidite de Hashimoto, pós-doença de Graves);
  • Atrofia (Diminuição) da tireoide relacionada ao envelhecimento;
  • Terapia para Hipertireoidismo como o Iodo Radioativo e a Tireoidectomia (retirada da tireoide por causa de câncer da tireoide e nódulos);
  • Iodo radioativo – Utilizado para tratar o hipertireoidismo. o iodo causa uma inflamação seguida por fibrose e depois um atrofiamento da glândula. Há a melhora do hipertelorismo, porém surge o hipotireoidismo porque a quantidade de hormônios tireoidianos passam a ser insuficientes;
  • Carbonato de lítio – Utilizada principalmente para doença bipolar, o lítio pode causar hipotireoidismo entre 5 a 35% dos pacientes. Ainda não se sabe como o lítio atua na glândula tireoide, mas há evidências de que o lítio possa desencadear tireoidite auto-imune ou agravar doença pré-existente;
  • Compostos à base de iodo;
  • Medicamentos antitireóideos;
  • Tratamento oncológico de Radiação para pacientes com câncer na cabeça e pescoço e linfoma;
  • Deficiência de iodo e excesso de iodo.

Tratamento

O objetivo inicial é repor o hormônio ausente para fins de restabelecer um estado metabólico normal através da levotiroxina sódica.

As doses variam de acordo de acordo com o valor de TSH sérico e de acordo com a idade, assim:

  • Em adultos jovens, a dose pode variar entre 1,2 a 1,7 μg/kg/dia;
  • Em idosos, a dose serpa entre entre 1 a 1,5 μg/kg/dia.

Acompanhamento do TSH sérico e avaliação da reposição hormonal

A literatura científica recomenda realizar a medida do TSH sérico pelo menos após seis semanas após o início do tratamento. Posteriormente ao estabelecer controle sérico de TSH, deve-se realizar exame laboratorial pelo menos uma vez a cada ano.

Cuidados na administração da levotiroxina

O paciente deve tomar alguns cuidados para a tomada da levotiroxina, como:

  • Tomada regular em jejum ao acordar e pelo menos 30 minutos antes do café da manhã;
  • Manter pelo menos 4 horas de diferença entre a sua tomada e a tomada de outros medicamentos e vitaminas.

A tireoide secreta T3 e T4, porque não é preciso tomar T3?

A levotiroxina sódica (L-T4) é suficiente para o tratamento de hipotireoidismo, pois T3 representa apenas 20% da secreção hormonal da tireoide.

Hipotireoidismo na gravidez

Após realizar o diagnóstico na gestação, deve-se normalizar o mais rapidamente possível a função tireoidiana. A dose inicial de tiroxina (L-T4) deve ser de 2,0 a 2,5 μg/kg/dia. Deverá ser ajustada para que o TSH seja menor que 2,5 μU/mL no 1º trimestre e menor que 3,0 μU/mL no 2º ou 3º trimestres. É importante fazer a monitorização dos hormônios tireoidianos após o parto.

Recomendações de uso da tiroxina

A gestante deve fazer uso de medicamentos contendo ferro ou cálcio, leite de soja pelo menos 2 horas depois de fazer a ingestão de tiroxina, para que não haja redução na absorção de L-T4.

 

Referência Bibliográfica

SMELTZER, Suzanne C; Bare, Brenda G. Brunner/Suddarth: tratado de enfermagem médico cirúrgica. 8. e 10.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. 2v.

 

marcus

Olá, meu nome é Marcus Vinícius, tenho 32 anos. Sou blogueiro, enferrmeiro e referência técnica do Centro de Atenção Psicossocial CAPS I de Lagoa da Prata/MG. Sou graduado em Enfermagem pela Universidade de Uberaba UNIUBE. Os meu objetivo neste blog é trazer um conteúdo esquematizado e de fácil entendimento para te auxiliar nas suas pesquisas e estudos na área de enfermagem, saúde pública e saúde como um todo.

Website: http://www.enfermagemesquematizada.com.br

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