Fases do Período Perioperatório – Clínica Cirúrgica

O período perioperatório corresponde ao tempo envolvido na preparação, realização e recuperação de um paciente em um evento cirúrgico. Em outras palavras, o período perioperatório inicia-se com a indicação médica para a cirurgia e termina com a avaliação de acompanhamento no ambiente clínico ou em casa pós cirurgia.

Fases do Período Perioperatório

O período perioperatório é dividido em 6 fases:

  1. Pré-operatório mediato;
  2. Pré-operatório imediato;
  3. Intra-operatório;
  4. Pós-operatório imediato;
  5. Pós-operatório mediato;
  6. Pós-operatório tardio.

Obs. Alguns autores subdividem o período perioperatório em apenas 3 fases:

  1. Pré-operatório;
  2. Intra-operatório
  3. Pós-operatório

 

Período Pré-operatório

O período pré-operatório envolve um período de tempo destinado a realizar toda uma preparação do paciente para a cirurgia. Inicia-se com a indicação médica de cirurgia e termina com a transferência do paciente para a sala cirúrgica. O período pré-operatório se divide em pré-operatório mediato de imediato.

 

Pré-operatório Mediato

Inicia-se com a indicação médica de cirurgia e termina até 24 horas anteriores após a mesma. Este período de tempo é destinado á preparação do paciente para a cirurgia no qual são realizados:

  • Preenchimento da ficha de consentimento informado, somente para de cirurgias eletivas. Este documento deverá ser redigido pelo paciente de modo a proteger o paciente em casos de cirurgias eletivas não-autorizadas. Cirurgias emergenciais não necessitam desse documento uma vez que estas são necessárias devido ao risco de vida do paciente;
  • Avaliação dos fatores de saúde que podem levar á complicações durante o período intra e pós-operatório – Diabetes Mellitus (descompensação glicêmica), hipertensão arterial (níveis pressóricos elevados), Extremos de peso (obesidade e emaciação), Doença pulmonar, Doença Hepática, Anemias, Tabagismo e outros;
  • Obs. Quando o paciente apresenta um estado de saúde que pode levar a uma complicação durante o ato cirúrgico, inicia-se um trabalho de estabilização de modo a garantir a segurança do paciente. Exemplo: Em pacientes com hipertensão arterial, durante a cirurgia, o cirurgião pode ter dificuldades em conter sangramentos após a diérese, da mesma forma, um paciente tabagista, pode ter um acúmulo de secreção pulmonar, podendo desenvolver broncopneumonia no pós-operatório.

 

Pré-operatório Imediato

Corresponde ás 24 horas anteriores á cirurgia e tem como objetivo o preparo do paciente para o ato cirúrgico mediante os seguintes procedimentos:

  • Jejum;
  • Limpeza intestinal;
  • Esvaziamento vesical;
  • Preparo da pele;
  • Administração de medicação pré-anestésica.

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Intervenções de Enfermagem na Fase Pré-operatória

As atividades de enfermagem no período na fase pré-operatória envolve:

  • Reduzir a ansiedade e o medo.
  • Antecipar sobre a necessidade de ventilador, drenos e outros equipamentos;
  • Estratégias como musicoterapia e atendimento psicológico;
  • Estimular o paciente a se concentrar em uma experiência agradável ou uma cena repousante;
  • Recitar um poema, lembrar de uma música ou pensar em uma história agradável;
  • Recitar pensamentos otimistas (“Sei que tudo sairá bem.”).

 

Ensino do paciente para evitar complicações na fase pós-operatória

Ensinar o paciente a:

  • Realizar e ensinar o paciente a realizar a respiração diafragmática;
  • Realizar tosse de modo a minimizar pressão sobre a incisão cirúrgica;
  • Exercícios com a perna para estimular a circulação sanguínea e prevenir quadros trombóticos.

 

Manter a segurança do paciente

A proteção do paciente contra a lesão é uma das medidas mais importantes no período perio-operatório. Para isso, deve-se:
1 – Estabelecer uma identificação correta do paciente de modo a evitar enganos;
2 – Estabelever uma comunicação efetiva entre os cuidadores;
3 – Estabelecer segurança no uso dos medicamentos – (Veja os nove certos da enfermagem);
4 – Favorecer a segurança no uso de bombas infusoras;
5 – Reduzir ao máximo, o risco de infecções associadas ao preparo da pele;
6 – Garantir a segurança durante o manuseio e uso de equipamentos hospitalares (evitar acidentes como incêndios; observar se há inspeção especializada das condições elétricas e de funcionamento de acordo com o protocolo; uso correto das tomadas).

 

Controlar a Nutrição e os líquidos

Orientar a importância da suspensão de alimentos e líquidos para evitar a aspiração quando há indicação.

 

Preparo Intestinal

Em casos de cirurgias abdominais ou pélvicas são prescritos enemas de limpeza ou laxativos de modo a permitir uma visualização satisfatória do sítio cirúrgico, evitar contaminação do peritônio pelas fezes e evitar trauma de intestino. Antibióticos podem ser prescritos para fins de diminuir flora intestinal e reduzir risco de infecção.

 

Preparado da pele

A meta é diminuir o número de bactérias sem lesionar a pele. Geralmente pêlos não são removidos no período perioperatório a menos que existam pelos no sítio cirúrgico ou que eles vá interferir com a operação.


canetas seringas

Fase Intra-operatória ou Trans-operatória

A fase intra-operatória começa quando o paciente é transferido para a mesa de cirurgia e termina quando ele é admitido na Unidade de Recuperação Pós-anestésica. Nessa fase, deve-se:

  1. Fornecer segurança para o paciente;
  2. Manutenção de um ambiente asséptico;
  3. Garantia do funcionamento apropriado e adequado dos equipamentos;
  4. Avaliação sistemática dos sinais vitais;
  5. Avaliar complicações intra-operatórias potencias como náuseas e vômitos, anafilaxia, hipóxia, hipotermia, hipertermia maligna e outros.

 

Fase Pós-operatória

A fase pós-operatória inicia-se a partir da saída do paciente da sala cirúrgica e a sua admissão na Unidade de Recuperação Pós-anestésica. Subdivide-se em pós-operatório imediato, mediato e tardio.

Os objetivos nesta fase são identificar, prevenir e tratar problemas ocasionados nos procedimentos anestésicos e cirúrgicos como:

  • Alterações dos sinais vitais – atentar para instalação de quadros convulsivos e indentificar precocemente sinais de choque; hipertermia e hipotermia, hipotensão (perda de sangue durante a cirurgia ou efeito do anestésico)
  • Dor – Avaliar intensidade, localização, duração e tipo (intermitente, pontadas, contantes, compressiva) e providenciar analgesia;
  • Sonolência – Avaliar nível de consciência por meio de estímulos como perguntas e estímulo tátil. A sonolência pode ser indicativo de complicações como hemorragia interna;
  • Soluços – São espasmos intermitentes do diafragma provocados por uma irritação do nervo frênico. As causas comuns de soluço são a distensão abdominal e a hipotermia;
  • Complicações pulmonares – Avaliar sinais e sintomas como cianose, dispnéia, agitação batimentos de asa de nariz e tiragem intercostal e outras;
  • Complicações urinárias – Avaliar presença de bexigoma (retenção urinária) e sinais de infecção urinária;
  • Náuseas e vômitos – Efeitos adversos dos anestésicos;
  • Hemorragia do sítio cirúrgico;
  • Infecção da ferida cirúrgica;
  • Deiscência – Abertura total ou parcial da incisão cirúrgica.

 

Referências Bibliográficas

Smeltzer SC, Bare BG. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem MédicoCirúrgica. 12 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. vol. I.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem. Brasília:PROFAE, 2003. 96 p.

Marcus Vinícius

Olá, meu nome é Marcus Vinícius. Sou blogueiro, enfermeiro e responsável técnico pelo Centro de Atenção Psicossocial CAPS I do Município de Lagoa da Prata/MG. Este blog tem o objetivo de trazer um conteúdo esquematizado e de fácil assimilação. Aproveite e entre em contato em caso de dúvidas e sugestões!

Website: http://www.enfermagemesquematizada.com.br

2 Comentários

  1. Richardson

    Pós-operatório imediato, mediato e tardio???

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