Esquizofrenia

O que é esquizofrenia

tipos-de-esquizofrenia-300x157 Esquizofrenia

Antes de receber o nome de esquizofrenia, a doença era chamada de demência precoce uma vez que os seus sintomas iniciam-se na adolescência e inicio da idade adulta.

Esquizofrenia significa cisão das funções mentais” (do grego schizo = divisão, cisão; phrenos = mente). É uma psicose crônica de causa desconhecida caracterizada por alteração senso perceptiva evidenciada por delírios e alucinações afetando aproximadamente 1% da população mundial,

 

Subtipos de esquizofrenia

Os  de esquizofrenia são:

  1. Paranoide – Caracterizado por delírios de grandeza ou perseguição;
  2. Hebefrênica ou desorganizada  – Regressão acentuada a um comportamento primitivo, desinibido e desorganizado, comportamento bizarro;
  3. Catatonia – Acentuada pertubação psicomotora que envolve negativismo, estupor, rigidez e excitação. Movimentos involuntários. O paciente pode ficar duro, parado por três a quatro dias.
  4. Indiferenciada – Pacientes que não apresentam sintomas típicos de uma das classificações acima são classificados como pacientes portadores de esquizofrenia indiferenciada;
  5. Residual – O paciente apresentou uma das classificações de esquizofrenia acima, no entanto, teve melhora dos sintomas positivos (sintomas com gasto de energia como delírios, agitação psicomotora) e agora apresenta somente sintomas negativos (sintomas com baixo gasto de energia como embotamento afetivo).

 

Sintomas da esquizofrenia

Os sintomas clássicos de esquizofrenia são os chamados “seis As”:

  1. Alucinações e
  2. Alterações do pensamento (delírios);
  3. Afeto embotado
  4. Altismo
  5. Ambivalência
  6. Distúrbios da Associações de pensamento.

 

Os primeiros sinais e sintomas da doença aparecem durante a adolescência e inicio da idade adulta e podem ser:

  • perda de energia, iniciativa e interesses;
  • humor depressivo;
  • isolamento;
  • comportamento inadequado;
  • negligência com a aparência pessoal e higiene;
  • alucinações e delírios;
  • transtornos de pensamento e fala;
  • perturbação das emoções e do afeto;
  • déficits cognitivos e;
  • avolição.

Os sintomas podem ser divididos em sintomas positivos e negativos:

Os sintomas positivos – Fase aguda da doença

Os sintomas positivos da esquizofrenia são aqueles em o paciente apresenta maior gasto de energia. Ocorrem na fase aguda da doença, sendo reversível e apresenta boa resposta a neurolépticos.

  • Delírios – Alteração de pensamento;
  • Alucinações – Alteração de sensopercepção;
  • Pensamento desorganizado – desassociação de ideias.
  •  Agitação
  • Ambivalência – Odeiam e amam ao mesmo tempo; choram e sorriam ao mesmo tempo.

Os sintomas negativos – Fase crônica da doença

Os sintomas negativos da esquizofrenia são sintomas com baixo gasto de energia. Geralmente ocorrem após a fase aguda da esquizofrenia e marca bem a esquizofrenia residual. Os sintomas negativos respondem mal ao tratamento com neurolépticos.

  • Embotamento afetivo – Expressão emocional claramente diminuída, linguagem corporal reduzida e inexpressão facial. O paciente vive num mundo só dele e não consegue relacionar-se afetivamente com as pessoas mais próximas ou sua família.
  • Altismo – Não como doença, mas altismo como sintoma caracterizado pelo isolamento.
  • Alogia – Pobreza do discurso como breves respostas vazias
  • Avolição – Perda do interesse em realizar tarefas do dia a dia como trabalhar e estudar.

 

Resumo:

  • Sintomas positivos – maior gasto de energia, fase aguda da doença, respondem bem a neurolépticos;
  • Sintomas negativos – menor gasto de energia, fase crônica da doença, respondem mal a neurolépticos.

 

Epidemiologia da esquizofrenia

A ocorrência mundial varia de 0,9 a 11 por 1.000 habitantes e sua incidência anual está entre 0,1 a 0,7 novos casos para cada 1.000 habitantes. Em média 1% da população mundial desenvolverá esquizofrenia.

 

Causas da esquizofrenia

As causas da esquizofrenia são desconhecidas porém a comunidade científica aponta para uma combinação de fatores de fatores internos (genética) e externos (exemplo desestrutura familiar) que levam á um surto psicótico inicial desencadeando a doença.

A teoria mais forte é a herança genética em que o gene da esquizofrenia é recessivo que necessita de fatores ambientais ou estressantes para o aparecimento da doença que ocorre entre a adolescência e o inicio da idade adulta.

Teoria dopaminérgica

Acredita-se que a dopamina seja protagonista no aparecimento de sintomas psicóticos da seguinte maneira:

  1.  Os sintomas psicóticos estariam associados a um excesso de dopamina em certas regiões cerebrais.
  2. A melhora dos sintomas psicóticos como delírios e alucinações seria devida a um bloqueio da ação dopamina.
  3. A síndrome extrapiramidal  é responsável pelos efeitos adversos dos antispsicóticos  e é uma consequência do bloqueio dopaminérgico.

Vias dopaminérgicas:

  • Região mesolimbica Cerebral – O aumento da atividade dopaminérgica nesta região gera os sintomas positivos da esquizofrenia como as alucinações, agitação, euforia, irritabilidade, agressividade e delírios;
  • Região mesocortical  Cerebral – A diminuição da atividade dopaminérgica nesta região gera os sintomas negativos como apatia, desmotivação, perda de interesse pela vida e depressão, altismo, embotamento afetivo, catatonia, ambivalência.
  • Região nigroestriada – Região de coordenação de movimentos voluntários. O seu bloqueio está relacionado a distúrbios motores como a acatisia, distonia, tremores, rigidez e acinesia/bradicinesia e em longo prazo podendo levar á acatisia tardia.

Cortex Frontal – Responsável pelo comportamento, cognição, impulsividade, compreensão.

 

Tratamento farmacológico da esquizofrenia

O tratamento da farmacológico da esquizofrenia envolve o uso dos antipsicóticos típicos e atípicos.

 

Antipsicóticos Típicos

Os antipsicóticos típicos são os primeiros antipsicóticos a serem utilizados e são divididos em alta, média e baixa potência. Agem principalmente nos sintomas positivos ou fase aguda da esquizofrenia.

  • Alta potência – Haloperidol (haldol®), Flufenazina (anatensol®) e Pimozida (Orap®);
  • Média potência – Trifluoperazina (Stelazine®);
  • Baixa potência ou sedativos – Clorpormazina (Amplictil®) e Levomepromazina (Neozine®)

 

Efeitos adversos dos Antipsicóticos Típicos.

Os efeitos adversos provocados pelos Antipsicóticos Típicos é devido ao bloqueio dopaminérgico na região nigroestriada. Essa região cerebral participa da coordenação dos movimentos motores. Assim, surgem os seguintes efeitos chamados de extrapiramidais:

 

Antipsicóticos atípicos

Os antipsicóticos Atípicos surgiram através da busca por drogas que provocasse menos efeitos extrapiramidais. e que sejam mais eficazes nos sintomas negativos da esquizofrenia.

São exemplos de antipsicóticos atípicos a Tioridazina (Melleri®l), a Sulpirida (Equilid®), a Clozapina (Leponex®), a Risperidona (Risperdal®) , a Olanzapina  (Zyprexa®),  Quetiapina (Seroquel®) e o Aripiprazol (Abilify®).

Essa classe de antipsicóticos apresentam como vantagem a redução dos sintomas negativos e positivos e como desvantagem o preço alto de compra. A clozapina é o fármaco que se destaca nesta classe possibilitando que o paciente tenha melhora significativa dos sintomas, no entanto há risco de agranulocitose justificando a necessidade de realização de hemogramas periódicos.

 

Referências Bibliográficas

 

SILVA, Regina. Esquizofrenia: Uma Revisão. Psicologia USP, São Paulo, v. 17, n. 4, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65642006000400014>. Acesso em 11 de dezembro de 2016.

MOREIRA, Camilla; MEZZASALMA, Marco André; JULIBONI, Ricardo. Esquizofrenia Paranóide: Relato de Caso e Revisão da Literatura. Revista Científica da FMC, Rio de janeiro, v. 3, n. 2, 2008. Disponível em: <http://www.fmc.br/revista/V3N2P29-32.pdf>. Acesso em 11 de dezembro de 2016.

MATOS, André Luiz; PONTES, Karin; PEREIRA, Álaba. Revisão teórica da esquizofrenia e implicações causadas pela doença na vida do portador e dos familiares. III Congresso Nacional de Pesquisa em Ciências Sociais Aplicadas, Francisco Beltão, outubro, 2014. Disponível em: <http://cac-php.unioeste.br/eventos/conape/anais/iii_conape/Arquivos/Artigos/Artigoscompletos/MEDICINA/12.pdf>. Acesso em 11 de dezembro de 2016.

marcus

Olá, meu nome é Marcus Vinícius, tenho 32 anos. Sou blogueiro, enferrmeiro e referência técnica do Centro de Atenção Psicossocial CAPS I de Lagoa da Prata/MG. Sou graduado em Enfermagem pela Universidade de Uberaba UNIUBE. Os meu objetivo neste blog é trazer um conteúdo esquematizado e de fácil entendimento para te auxiliar nas suas pesquisas e estudos na área de enfermagem, saúde pública e saúde como um todo.

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