Escaras e Classificação das Lesões por Pressão – Consenso NPUAP 2016

Escara ou esfacelo é o nome dado ao tecido necrosado gerado por lesão por pressão que surge, direta ou indiretamente, por compressão de tecidos que estão situados entre uma proeminência ou superfície óssea e uma superfície rígida.

Lesão por Pressão Versus Escaras

Úlcera por pressão é diferente de escaras embora sejam tratados como sinônimos. Saiba o porquê na linhas abaixo:

Lesão por Pressão

Lesão por Pressão envolve toda a área de tecido danificado direta ou indiretamente por compressão entre uma proeminência óssea e superfície dura (cama e colchão em pacientes acamados) e uso de dispositivos médicos (exemplo lesão de membranas). O peso do corpo sustentado em pontos específicos do corpo como nas regiões do sacro, cóccix e calcâneo geram uma pressão que provoca isquemia (deficiência de oxigênio) e anóxia tecidual (ausência de oxigênio). Em consequência disso as células sofrem uma autoagressão, ocorre a ruptura das organelas citoplasmáticas e liberação de enzimas instalando a necrose celular. A instalação de bactérias e escara dificulta a cicatrização

Escaras

Já escaras, são tecidos necrosados que situam-se na superfície de lesões por pressão. As escaras, por cobrir as lesões, dificultam a reparação tecidual e servem como meio de cultura de bactérias que impedem ainda mais a angiogênese e as mitoses celulares.

 

Tratamento de Escaras

O tratamento farmacológico ideal para o tratamento de escaras é a aplicação de colagenase. Colagenases são enzimas que quebram as ligações peptídeos do colágeno. Após a remoção da escara, deve-se iniciar o tratamento específico de acordo com a etiologia de cada lesão.

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Desuso da terminologia Úlcera de Pressão

No dia 13 de abril de 2016, o National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP), Organização norte-americana dedicada ao tratamento e prevenção ao tratamento de lesões por pressão, anunciou a mudança na terminologia de úlcera por Pressão para lesão por Pressão.  Veja nas linhas abaixo, as novas definições e classificações:

 

Definição de lesão por Pressão segundo a NPUAP

Lesão por pressão são lesões na pele que podem acometer também tecido subcutâneo, músculos e até o tecido ósseo. Ocorrem em regiões de proeminência óssea devido as forças de atrito como pressão, cisalhamento e fricção.

 

Nova Classificação de lesão por Pressão

A NPUAP  descreve uma nova classificação nas lesões por pressão, em:

  • Lesão por Pressão Estágio 1 – Pele íntegra com presença de eritema (rubor na pele causado por vasodilatação) que não embranquece;
  • Lesão por Pressão Estágio grau 2 – Há perda parcial de pele e exposição da derme;
  • Lesão por Pressão Estágio 3 – Ocorre perda de pele em toda a sua espessura;
  • Lesão por Pressão Estágio 4 – Perda da pele em toda a sua espessura e perda tissular (perda de outros tecidos como tecido subcutâneo, muscular e ósseo).

 

A NPUAP aborda também, as seguintes classificações:

  • Lesão por Pressão Não Classificável 

Neste caso há perda de pele em toda a sua espessura e também perda tissular, porém não se pode confirmar a espessura e grau de acometimento devido à presença de escara. Ao remover a escara ou esfacelo, uma lesão por pressão nível 3 ou 4 ficará visível.
Obs.: Caso a escara esteja estável (seca, aderente e sem flutuação ou edema) no calcâneo ou em membro isquêmico não deverá ser removida devido ao agravamento da lesão.

  • Lesão por Pressão Tissular Profunda

Características: A pele pode estar intacta ou não, área localizada com coloração vermelho escura, púrpura ou marrom persistente e que não embranquece. Pode ser caracterizada também por uma separação epidérmica causando uma lesão de leito escurecido ou uma bolha de exsudato sanguinolento.

Causa: A lesão tissular é gerada por uma pressão prolongada e/ou intensa e de cisalhamento no conjunto osso-músculo.

  • Lesão por Pressão Relacionada a Dispositivo Médico 

Lesão por pressao resultante do uso de dispositivos utilizados para fins terapêuticos e diagnósticos.

  • Lesão por Pressão em Membranas Mucosas

Ocorre em membranas mucosas quando há histórico de uso de dispositivos médicos no local da lesão. Essa lesões são difíceis de serem categorizadas devido á anatomia desses tecidos.

Locais mais acometidos

  • Tuberosidade maior do úmero;
  • Maléolo lateral;
  • Cabeça da Tíbia;
  • Trocanter;
  • Sacro;
  • Cóccix;
  • Calcâneo.

 

Referências Bibliográficas

Associação Brasileira de Estomatorapia – SOBEST; Associação Brasileira de Enfermagem em Dermatologia – SOBENDE. Classificação das lesões por pressão – consenso NPUAP 2016 – adaptada culturalmente para o Brasil. São Paulo, 2016. Disponível em: <http://www.sobest.org.br/textod/35>. Acesso em 21 jun. 2018.

POSSO, Maria Belén Salazar. Semiologia e Semiotécnica de Enfermagem. São Paulo: Editora
Atheneu, 2010.

RODRIGUES, Andrea Bezerra, et. al. Semiotécnica – Manual para Assistência de Enfermagem. 3.
ed. São Paulo: Iátria, 2007.

SMELTZER, Suzane C.; BARE G. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 11.ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2009.

VOLPATO, Andrea Cristine Bressane; PASSOS, Vanda Cristina dos Santos (Org.). Técnicas
Básicas de Enfermagem. 3. ed. São Paulo: Martinare, 2009.

 

Marcus Vinícius

Olá, meu nome é Marcus Vinícius. Sou blogueiro, enfermeiro e responsável técnico pelo Centro de Atenção Psicossocial CAPS I do Município de Lagoa da Prata/MG. Este blog tem o objetivo de trazer um conteúdo esquematizado e de fácil assimilação. Aproveite e entre em contato em caso de dúvidas e sugestões!

Website: http://www.enfermagemesquematizada.com.br

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