Choque Séptico

O choque séptico é um choque circulatório em resposta á vasodilatação, hipotensão e hipoperfusão causado por infecção generalizada. A dilatação arterial e venosa maciça permitem que o sangue se represe nos vasos sanguíneos periféricos. Por outro lado, a diminuição drástica de sangue nos vasos centrais provocam uma falência de trabalho do coração.


Fisiopatologia

O choque séptico se desenvolve gradativamente, veja os eventos:

  1. Invasão de micro-organismos aos tecidos orgânicos e deflagração de resposta imune;
  2. Ativação de mediadores químicos que promovem vasodilatação e aumento da permeabilidade capilar com a finalidade de permitir que o sangue chegue aos tecidos periféricos e infeccionados;
  3. A infecção generalizada promove vasodilatação periférica expressiva que permitem uma concentração maior de sangue nos tecidos periféricos e uma concentração menor nos vasos centrais de grande calibre;
  4. Diminuição expressiva do retorno venoso ao coração de diminuição da pré-carga (enchimento ventricular de sangue durante a diástole ventricular e sístole atrial) que levam á débito cardíaco diminuído e consequentemente á diminuição drástica da perfusão tissular.

Fases do Choque Séptico

O choque séptico, para melhor compreensão clínica, pode ser dividido nas seguintes fases:

  1. Resposta hiperdinâmica inicial – Débito cardíaco alto com vasodilatação sistêmica. Sintomas reativos á infecção aparecem como febre, pele ruborizada e quente, taquicardia e pulsos em ricochete, náuseas, vômitos e diarreia, podendo surgir também leve confusão e agitação;
  2. Resposta hipodinâmica reativa á infecção generalizada – A vasodilatação provocada pela septicemia levam ao baixo débito cardíaco e baixíssima perfusão tissular;
  3. Estabelecimento do choque séptico – A sepse leva a uma resposta hormonal e inflamatória devastadora. A falha do sistema cardiovascular levam à lesão de órgãos alvo (ex.: insuficiência renal, pulmonar e hepática), queda expressiva da pressão arterial, taquipneia e taquicardia (tentativa do coração em restaurar o débito cardíaco). A pressão arterial pode chegar a um estágio em que não mais poderá ser responsiva a medicamentos e reanimação com líquidos, levando o paciente inevitavelmente ao óbito.

Manifestações Clínicas

  • Taquicardia;
  • Hipertermia ou febre;
  • Pele ruborizada e quente;
  • Pulsos em ricochete;
  • Taquipneia;
  • Desnutrição;
  • Insuficiência dos tecidos orgânicos como o pulmonar e o hepático.
  • Comprometimento do trato gastrointestinal com aparecimento de náuseas, vômitos e diarreia;
  • Hipermetabolismo evidenciado por aumento da glicose sérica e aumenta da resistência á insulina;
  • Podem surgir alterações sutis do estado mental, como confusão ou agitação;

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Fatores de risco para o choque séptico

  • Imunossupressão;
  • Extremos etários (< 1 ano e > 65 anos);
  • Desnutrição;
  • Doença crônica;
  • Procedimentos invasivos.

Tratamento Médico

O tratamento médico do choque séptico envolve:

  • Identificação e eliminação da causa da infecção;
  • Coletar para cultura (amostras de sangue, escarro, drenagem de ferida, urina e extremidades de cateteres invasivos);
  • Drenar abcessos e desbridar áreas necróticas;
  • Reposição de líquidos para corrigir a hipovolemia;
  • Prescrição de antibióticos de largo espectro imediatamente após a realização do diagnóstico de sepse;
  • Mudar a terapia antibiótica de largo especto para antibioticoterapia específica para o agente da infecção, após os relatos de cultura e sensibilidade;

Observação: Os antibióticos de largo especto são mais tóxicos para o pacientes do que os antibióticos específicos. Portanto, é viável a troca imediatamente após a constatação do micro-organismo responsável pela sepse.

  • Modular a resposta inflamatória e de coagulação á infecção por meio da prescrição de fármacos que ajustem os efeitos provocados pelas citocinas e mediadores bioquímicos como a proteína C ativada humana recombinante (rhAPC). A RHAPC tem efeito antitrombótico, anti-inflamatório e pró-fibrinolítico;
  • Suplementação nutricional (a desnutrição prejudica ainda mais a resistência do paciente á infecção);
  • Prescrição de insulina para controlar a hiperglicemia.

Tratamento de Enfermagem

Prevenindo o choque séptico

  • Realizar todos os procedimentos com técnica asséptica;
  • Monitorar rigorosamente sítios de punção arterial e venosa, feridas traumáticas, incisões cirúrgicas, úlceras de pressão para identificar sinais de infecção;

Tratamento e prevenção de novos episódios

  • Atenção especial a idosos, imunossuprimidos, queimaduras graves e diabéticos devido ao risco aumentado á infecção e sepse;
  • Identificar origem e fonte da sepse;
  • Identificar micro-organismos envolvidos;
  • Coletar amostras apropriadas para cultura (mostras de sangue, escarro, drenagem de ferida, urina e extremidades de cateteres invasivos);
  • Controle da temperatura corporal acima de 40 ºC com acetaminofeno e cobertura de hipotermia. A hipertermia tem um efeito positivo no combate á infecção pois aumenta a taxa de metabolismo corporal. Em outras palavras, a febre é um mecanismo natural de defesa do organismo contra infecções;
  • Administrar líquidos por via intravenosa e medicamentos conforme prescrição;
  • Monitorar níveis sanguíneos de antibiótico, creatinina, ureia, leucócitos, hematócrito, exames de coagulação e níveis de plaquetas uma vez que a antibioticoterapia podem ter efeitos tóxicos pois a hipoperfusão faz com que o fígado e rins não consigam excretar adequadamente os antibióticos presentes no circulação sistêmica;
  • Monitorar estado hemodinâmico do paciente bem como estado hídrico e estado nutricional;
  • Realizar a pesagem diária;
  • Monitorizar os níveis séricos da albumina para avaliar o estado proteico do paciente.

Referências Bibliográficas

BRUNNER, L. S.; Suddarth, D. S. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgico. 8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998.

CECIL, R. L. Tratado de Medicina Interna. 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996.

 

marcus

Olá, meu nome é Marcus Vinícius, tenho 32 anos. Sou blogueiro, enferrmeiro e referência técnica do Centro de Atenção Psicossocial CAPS I de Lagoa da Prata/MG. Sou graduado em Enfermagem pela Universidade de Uberaba UNIUBE. Os meu objetivo neste blog é trazer um conteúdo esquematizado e de fácil entendimento para te auxiliar nas suas pesquisas e estudos na área de enfermagem, saúde pública e saúde como um todo.

Website: http://www.enfermagemesquematizada.com.br

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